Cosan prepara captação de até R$ 10 bilhões com apoio de BTG e Perfin
22-09-2025
Companhia lança duas ofertas primárias de ações para reduzir dívidas e fortalecer estrutura financeira
Por Andréia Vital
A Cosan anunciou neste domingo (21) a celebração de um acordo estratégico com seus controladores e investidores institucionais, entre eles o BTG Pactual e a gestora Perfin, para viabilizar duas ofertas públicas primárias de ações que podem movimentar até R$ 10 bilhões. Segundo a companhia, o montante captado será destinado exclusivamente à renegociação e liquidação de passivos financeiros, em uma estratégia voltada à redução da alavancagem e à recuperação da flexibilidade de capital.
O plano foi detalhado em fato relevante e inclui subscrição garantida pelos chamados “investidores âncora”, assegurando a efetividade da operação.
A primeira operação prevê a emissão de 1,45 bilhão de ações ordinárias, com possibilidade de acréscimo de 25%, totalizando até 1,81 bilhão de papéis. Os investidores âncora assumiram o compromisso de subscrever integralmente o volume inicial de 1,45 bilhão de ações, garantindo R$ 7,25 bilhões ao preço de R$ 5 por ação. Essa etapa será conduzida sob o rito da Resolução CVM nº 160/22, sem direito de prioridade aos acionistas atuais.
Parte dos papéis adquiridos pelos investidores de referência estará sujeita a restrições de negociação. Metade das ações subscritas por terceiros que não sejam âncoras terá lock-up de dois anos. Já os investidores estratégicos, reunidos em uma nova holding conjunta com a família controladora Ometto, aceitaram um bloqueio mais extenso: 50% de suas ações ficarão retidas por quatro anos. Além disso, todas as demais ações adquiridas nessa fase estarão sujeitas a restrição de negociação de 100 dias.
A segunda emissão contemplará até 550 milhões de ações, respeitando o limite máximo de 2 bilhões de novos papéis em circulação após as duas operações. Diferentemente da primeira, esta oferta dará direito de prioridade aos acionistas registrados até 19 de setembro de 2025. O preço será fixado no mesmo patamar da primeira emissão, R$ 5 por ação, mas sem período de lock-up, permitindo negociação imediata no mercado secundário.
O desenho da operação prevê, ainda, a assinatura de um Acordo de Acionistas entre a holding controladora Aguassanta, a nova holding formada com BTG e Perfin, e os demais investidores. O objetivo é reforçar a governança corporativa e alinhar os interesses de longo prazo, segundo a administração.
Para viabilizar o processo, a companhia convocará uma Assembleia Geral Extraordinária nos próximos dias, que decidirá sobre o aumento do capital autorizado para até 8 bilhões de ações ordinárias e a dispensa da obrigatoriedade de OPA em razão da entrada dos novos investidores.
A Cosan realizará uma teleconferência pública nesta segunda-feira (22), às 9h, conduzida pelo CEO Marcelo Martins e pelo CFO Rodrigo Araújo, para apresentar detalhes do plano e esclarecer dúvidas de analistas e acionistas.

