CTC inaugura em breve fábrica de sementes e apresenta variedades de cana
11-03-2026
Projeto integra estratégia de inovação para elevar produtividade até 2040
Andréia Vital
O Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) deve inaugurar em breve sua primeira fábrica de sementes sintéticas de cana-de-açúcar em Piracicaba - SP. A unidade, em fase final de construção, recebeu investimento de cerca de R$ 100 milhões e faz parte da estratégia da companhia para acelerar a adoção de novas tecnologias no setor sucroenergético.
A informação foi apresentada pelo CEO do CTC, Cesar Barros, durante encontro com executivos de usinas, técnicos e especialistas realizado na última semana em Ribeirão Preto - SP. Segundo ele, o projeto de sementes integra uma estratégia baseada em três frentes de inovação. A companhia aposta na combinação entre melhoramento genético, biotecnologia e o novo sistema de plantio para dobrar a produtividade média dos canaviais brasileiros até 2040.

Resultado de cerca de 11 anos de pesquisa e desenvolvimento e de investimentos superiores a R$ 1 bilhão ao longo da última década, o sistema de sementes sintéticas busca modernizar o modelo de implantação dos canaviais. Hoje o cultivo é feito a partir de mudas vegetativas. Com a nova tecnologia, o plantio passa a utilizar sementes produzidas em ambiente controlado.
Segundo o CTC, o sistema pode permitir maior uniformidade dos canaviais, melhor sanidade do material vegetal e ganhos de eficiência operacional. A tecnologia também tende a liberar áreas atualmente destinadas à produção de mudas, reduzir custos logísticos e ampliar a mecanização do plantio.
Mais de 25 experimentos já foram conduzidos pela empresa e cerca de 20 hectares foram plantados com sementes em testes de campo. O desenvolvimento do sistema inclui parcerias com fabricantes de máquinas agrícolas para adaptação de equipamentos ao novo modelo de plantio.
Durante o encontro, o CTC também apresentou duas novas variedades de cana-de-açúcar voltadas ao aumento de produtividade em diferentes ambientes de produção do Centro-Sul.
Uma delas é a CTCAdvana2, desenvolvida para ambientes classificados como C, D e E, considerados mais restritivos para o cultivo da cana-de-açúcar. Nessas condições, a cultivar apresenta produtividade superior a 100 toneladas de cana por hectare, cerca de 10% acima das principais referências disponíveis no mercado.
Nos ensaios conduzidos pela companhia, a variedade registrou índice de vitórias de 87% frente aos padrões modernos e ganho médio de 1,3 tonelada de açúcar por hectare. A cultivar possui janela de colheita entre maio e setembro e potencial de adoção superior a 4 milhões de hectares na região Centro-Sul.
Segundo Henrique Mattosinho Dávila, gerente de desenvolvimento de mercado do CTC, a variedade foi desenvolvida para ampliar o desempenho da cultura em áreas com maiores limitações produtivas. “A Advana2 nasce para atender uma das principais dores do setor, que são os ambientes restritivos. É um material recomendado para praticamente toda a região Centro-Sul e com janela de colheita entre maio e setembro”, afirma.
O segundo lançamento foi a TECNA3902, indicada para ambientes intermediários a favoráveis classificados como A, B e C. A recomendação inicial contempla regiões produtoras do interior paulista como Ribeirão Preto, Piracicaba, São Carlos e Assis.
Nos testes conduzidos pelo CTC, a variedade apresentou cerca de 5 quilos de açúcar total recuperável por tonelada de cana acima das variedades de referência e registrou índice de vitórias de 67% nas comparações. Em avaliações com produtores, superou 100 toneladas de cana por hectare e apresentou ganho de aproximadamente 7 por cento em toneladas de açúcar por hectare em ambientes favoráveis.
A programação do encontro também incluiu apresentações técnicas sobre manejo agronômico, posicionamento varietal e estratégias para ampliar o açúcar total recuperável nos canaviais, além de debates sobre cenário econômico e perspectivas para o setor sucroenergético.


