CTC mira salto de produtividade com novas variedades e manejo de precisão
22-09-2025
Materiais mais responsivos e práticas operacionais calibradas por ambiente são indicadas para o desenvolvimento do setor
Por Andréia Vital
O 19º Encontro de Variedades de Cana-de-Açúcar & Novas Técnicas de Fertilização, realizado nos dias 3 e 4 de setembro, reuniu pesquisadores, usinas e fornecedores para discutir caminhos práticos de ganho de eficiência no campo. Em palestra sobre “Soluções CTC para elevar o patamar de produtividade do setor”, Henrique Mattosinho D’Ávila, executivo do CTC, afirmou que incrementar produtividade é a alavanca mais efetiva para reduzir custo por tonelada e ampliar a rentabilidade, sobretudo diante de clima mais errático, pragas e doenças.
D’Ávila destacou que o CTC investiu cerca de R$ 2 bilhões nos últimos dez anos para acelerar quatro frentes: genética, biotecnologia, sementes sintéticas e manejo. Segundo ele, a instituição mantém uma meta desafiadora de dobrar a produtividade dos canaviais até o fim da próxima década, combinando materiais mais responsivos e práticas operacionais calibradas por ambiente.
Ao apresentar o patamar atual de 10,9 t de açúcar/ha (média das três últimas safras), o palestrante apontou quatro fatores críticos para a virada:
Manejo varietal adequado — dados setoriais indicam que mais da metade das áreas são colhidas fora do posicionamento de “bula” (janela/ambiente), o que tira mais de 1 t de açúcar/ha frente ao manejo correto.
Riqueza (ATR) estagnada — na janela precoce (abril–junho), a média histórica gira em ~120 kg ATR/t; variedades como a CTC9009 vêm entregando ~140 kg ATR/t nesse período, e a CTC9007 combina elevada riqueza com perfilhamento e sanidade.
Resiliência climática — estudos agroclimáticos apontam risco de queda de 5% a 20% na produtividade em 10 anos se nada mudar; por isso, o programa de melhoramento migrou dois terços dos ensaios para ambientes mais restritivos e mantém linha específica para o Nordeste, buscando materiais com maior volume radicular e tolerância à seca.
Longevidade em ambientes restritivos — a perda do 1º para o 3º corte segue expressiva, pressionando reformas antecipadas; para esse nicho, D’Ávila citou materiais posicionados para ambientes C/D/E e janelas mais tardias.
D’Ávila destacou a série CTC 9000, a Série CTC Advana e a Série Tecna. Na parte de manejo, o CTC vem difundindo um “pacote tecnológico” por variedade, com respostas diferenciadas a adubação, manejo de mudas e maturadores, para sair da regra de bolso e otimizar dose, época e ambiente. A conclusão, segundo D’Ávila, é que alinhar genética correta à janela certa, com nutrição e colheita compatíveis, pode elevar a produtividade em 20% a 30% com tecnologias já disponíveis — desde que a execução siga a “bula” e o planejamento seja revisitado conforme o clima.
Como próximo passo, o executivo anunciou a “Esfera”, iniciativa do CTC que reunirá especialistas, produtores e pesquisadores para discutir produtividade agrícola; o lançamento oficial acontecerá nesta terça-feira (23), em Piracicaba – SP.

