CTC4 é a variedade mais cultivada no Centro-Sul em 2023/24
29-11-2023
Segunda colocada, RB867515 segue altamente utilizada, empurrando índice de atualização varietal para níveis alarmantes
Por Leonardo Ruiz
Nesta terça-feira (28), o Centro de Cana do Instituto Agronômico (IAC) realizou a última reunião do Grupo Fitotécnico de Cana de 2023. Um dos destaques da programação foi a divulgação dos resultados do Censo Varietal Safra 2023/24. Considerado o maior censo de variedades do Brasil, o projeto tem como objetivo levantar informações sobre os planteis varietais no maior número possível de unidades produtoras, englobando usinas, destilarias, associações e grandes fornecedores.
De responsabilidade do consultor do Programa Cana IAC, Rubens Leite do Canto Braga Júnior, o censo deste ano levantou dados de 228 empresas, detentoras de uma área de 6,3 milhões de hectares nos estados da Tocantins, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro e São Paulo.
Uma das informações levantadas pelo censo é o índice de atualização varietal, que mostrou que o setor do Centro-Sul do país segue adotando variedades antigas em detrimento dos materiais modernos, mais propícios ao modelo atual de produção do segmento. De acordo com os dados apresentados, 2023 aparece tecnicamente empatado com 2017 como o ano detentor do pior índice de atualização varietal das últimas 37 safras. O último ciclo em que o índice figurou no nível considerado bom foi 2007.
Esse cenário é puxado, principalmente, pelo uso contínuo da RB867515, cuja primeira semeadura ocorreu há mais de 30 anos, na Estação Experimental de Ponte Nova, MG, ainda sob o controle do IAA-Planalsucar. No Espírito Santo, por exemplo, 63% da área cultivada deste ano está coberta com a variedade, que também aparece como líder no Mato Grosso (31%), Rio de Janeiro (30%), Paraná (25%), Mato Grosso do Sul (15%) e Minas Gerais (13%).
O sucesso da 7515 deve-se, principalmente, a sua rusticidade, que lhe permite se desenvolver em condições não muito favoráveis, fato que inclusive impulsionou a abertura de novas fronteiras canavieiras nas últimas décadas. Sua contribuição para o segmento é inegável, porém, é importante observar que seu desenvolvimento se deu há muito tempo, quando o modelo produtivo no setor diferia bastante do atual.
São Paulo é o estado com o melhor índice de atualização varietal, e o único do censo que não tem a 7515 como a primeira colocada no ranking de cultivo
Divulgação Programa Cana IAC
Principal produtor nacional, São Paulo é o estado com o melhor índice de atualização varietal, e o único do censo que não tem a 7515 como a primeira colocada no ranking de cultivo. Na região, o posto mais alto é ocupado pelas variedades CTC4 e RB966928, com 14% de participação cada. A 7515 é apenas a terceira colocada, com 9% de área. RB975242 (6%) e CTC9001 (6%) completam as cinco primeiras posições. Em relação a área plantada, a RB966928 assume a primeira colocação, com 10,7%, seguida da RB975242 (10,1%), CTC4 (9,8%) e RB867515 (8%).
Na região Centro-Sul como um todo, a variedade mais cultivada é a CTC4 (13,7%), seguida de perto pela RB867515 (12,6%) e RB966928 (12,5%). Um pouco mais distante, surgem a CTC9001 (6,2%), RB75242 (4,6%) e CTC9003 (3,4%). Já em área plantada, a liderança é da RB966928, com 10,4%. Praticamente empatada, aparece a 7515, com 10,3%. Em terceiro lugar, a CTC4, com 9,3% de área.

