DDGS ganha escala no confinamento com expansão do etanol de milho
10-04-2026

Foto: do site Inpasa
Foto: do site Inpasa

Inpasa amplia produção e vê demanda sustentar uso do insumo

Andréia Vital

Na esteira da expansão do etanol de milho no Brasil, o DDGS deixou de ser apenas um subproduto industrial para ganhar espaço como insumo relevante na nutrição animal. Em um ambiente de pressão sobre custos e busca por eficiência na pecuária, o ingrediente avança nas dietas de confinamento e passa a ocupar papel mais estratégico dentro da cadeia.

Esse cenário esteve presente nas discussões do Encontro de Confinamento e Recriadores 2026, realizado esta semana, em Ribeirão Preto - SP, onde o uso de coprodutos apareceu como alternativa para melhorar desempenho e reduzir o custo por arroba produzida. Nesse contexto, a Inpasa aproveitou o evento para reforçar o posicionamento do DDGS e um novo ciclo de crescimento da companhia.

“O DDGS nunca foi tratado como um coproduto. Sempre foi considerado um produto dentro do negócio de nutrição animal”, afirmou Pedro Zabotto, gerente comercial do FortiPro. Segundo ele, o lançamento da marca, em março, busca consolidar essa mudança de percepção no mercado. “O produto já se mostrou eficiente na prática e a tendência é ser cada vez mais reconhecido como algo de valor agregado”, disse.

Ao mesmo tempo em que apresentava o produto ao público técnico, a empresa iniciava a operação de uma nova unidade no país, movimento que, segundo Zabotto, marca uma etapa relevante de expansão. “Estamos iniciando a operação em Luís Eduardo Magalhães, o que é motivo de muita comemoração para a companhia”, afirmou.

Com investimento de R$ 1,3 bilhão, a planta no Oeste da Bahia tem capacidade para processar 1 milhão de toneladas de grãos por ano. A estimativa é produzir 470 milhões de litros de etanol, além de 245 mil toneladas de DDGS, 23 mil toneladas de óleo vegetal e 132 GWh de energia elétrica.

Com isso, a Inpasa amplia a presença em uma nova fronteira agrícola e reforça a estratégia atrelada ao etanol de milho. A companhia soma produção anual de cerca de 3,5 milhões de toneladas de DDGS e capacidade instalada de 6,2 bilhões de litros de etanol por ano, além de manter projetos em andamento em Rio Verde - GO e Rondonópolis - MT.

Segundo Zabotto, a expansão industrial acompanha um movimento consistente do mercado. “A demanda tem crescido ano a ano. É um produto que vem sendo cada vez mais aceito”, afirmou. Para ele, a evolução do consumo está diretamente ligada à busca por eficiência dentro da porteira.

No confinamento, o uso do DDGS tem sido associado a ganhos de produtividade. De acordo com Zabotto, estudos conduzidos em universidades indicam aumento no rendimento dos animais com a inclusão do insumo na dieta. “A inclusão de 10% de DDGS, em substituição ao caroço de algodão, pode elevar o ganho de carcaça em cerca de 2,62 quilos”, disse.

Além do teor proteico, próximo de 32%, o produto reúne características que ampliam sua utilização. “Além da proteína, o produto também traz energia, fósforo disponível, alta digestibilidade e boa palatabilidade”, afirmou.

Para o gerente, o uso do DDGS acompanha a tecnificação da pecuária brasileira. “O produtor busca tecnologia, rentabilidade e desenvolvimento. O DDGS atende essa necessidade de produzir mais por hectare”, disse.