Do prejuízo ao lucro: agricultor aposta no sorgo e muda planejamento da fazenda em Maracaju
03-03-2026

Agricultor troca soja por sorgo em lavoura de Maracaju — Foto: TV Morena
Agricultor troca soja por sorgo em lavoura de Maracaju — Foto: TV Morena

Além de servir para alimentação de animais, o sorgo passou a ser usado na produção de etanol, ampliando o mercado.

Por Roberti Neto*, Endrio Francescon, Tv Morena, g1 MS

Após sucessivas perdas com a soja por falta de chuva, o agricultor Valdemir Portela decidiu plantar sorgo no verão em 270 hectares da fazenda, em Maracaju (MS). A mudança ocorreu depois de cinco safras consecutivas com prejuízo causado pela estiagem em janeiro.

Segundo Valdemir, o problema acontece quando falta chuva no início do ano, prejudicando lavouras que vinham bem. Por isso, ele resolveu testar o sorgo como alternativa à soja.

A soja sempre foi a base da agricultura na região, plantada no verão e seguida do milho na segunda safra. Mas a irregularidade das chuvas e eventos climáticos extremos forçaram produtores a repensar o planejamento. O sorgo, que antes era plantado principalmente no inverno, agora começa a ocupar áreas tradicionais de soja no verão.

De acordo com a Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso do Sul (Aprosoja-MS), o estado tem cerca de 400 mil hectares de sorgo, um crescimento de 7.700% nos últimos cinco anos.

O agricultor explicou os desafios e a decisão: “O ano passado eu sugeri: ‘o que a gente acha de substituir o soja por um sorgo?’ No primeiro momento foi loucura, aí depois a gente viu que poderia ser uma ferramenta boa. Foi um desafio, porque plantar sorgo depois do milho significa duas gramíneas seguidas. A gente conseguiu cuidar bem da lavoura, tratamos as sementes e usamos produtos para impedir que plantas daninhas crescessem. A lavoura se desenvolveu bem e deu lucro, cerca de R$ 2.400 por hectare, enquanto a soja na mesma área rendeu, em média, R$ 1.300 por hectare.”

Além de servir para alimentação de animais, o sorgo passou a ser usado na produção de etanol, ampliando o mercado. Valdemir já garantiu a venda antes da colheita, a R$ 45 a saca, com uma indústria de Mato Grosso do Sul.

Ele acredita que o sorgo deve continuar como alternativa estratégica, podendo permanecer na lavoura por até duas safras antes da volta da soja, ajudando a reduzir riscos em anos de pouca chuva. Por enquanto a área com sorgo corresponde a uma pequena parte de teste na fazenda de Valdemir. Na safra de verão a principal cultura ainda continua sendo a soja.

Confira: https://g1.globo.com/ms/mato-grosso-do-sul/ms2/video/novidade-no-campo-agricultor-troca-soja-por-sorgo-em-lavoura-de-maracaju-14387428.ghtml

Fonte: G1