Educação e agro entram no debate regulatório em evento
31-03-2026
Discussão aborda materiais didáticos e produtividade no país
Andréia Vital
A relação entre educação, produtividade e percepção do agronegócio esteve no centro das discussões do AgroDay, realizado na terça-feira (25), em Ribeirão Preto - SP. O painel reuniu especialistas e representantes do setor público para tratar da qualidade dos materiais didáticos e seus impactos na formação de mão de obra e no entendimento do agro no Brasil.
Samanta Pineda, vice-presidente do IBRADES e diretora institucional da iniciativa De Olho no Material Escolar, destacou a desconexão entre o conteúdo ensinado nas escolas e a realidade do setor produtivo. Segundo ela, a atuação da entidade surgiu a partir da análise de dados que não condiziam com informações presentes nos livros didáticos.
“Eu, advogada especialista em Direito Ambiental para o agro, comecei a olhar também os dados que vinham e tentava fazer esse contraponto”, afirmou. A iniciativa passou a atuar junto a editoras com o objetivo de alinhar os conteúdos educacionais a bases científicas e evidências atualizadas.
A diretora ressaltou que o problema vai além do material didático e reflete um desafio estrutural da educação brasileira. “A gente começou a ver que não existia material didático, conhecimento técnico científico e nada em comum, nem nas escolas públicas nem nas privadas”, disse.
Durante o painel, a deputada federal Adriana Ventura reforçou a importância do uso de dados no debate educacional e na formulação de políticas públicas. “Precisamos começar a colocar dados. Quando a gente mostra dados, não há argumento contra números”, afirmou.
A discussão também abordou os impactos da educação na produtividade do país. De acordo com as participantes, a dificuldade na formação básica compromete o desempenho da força de trabalho e afeta diferentes setores da economia, incluindo o agro.

