El Niño deve reduzir chuvas na Zona da Mata de PE
27-05-2026
AFCP prevê veranicos e clima irregular entre junho e agosto
Andréia Vital
Após um período de chuvas acima da média na Zona da Mata de Pernambuco, os próximos meses devem ser marcados por precipitações irregulares e aumento do risco de veranicos na região canavieira. A avaliação é do novo Boletim Climático da Associação dos Fornecedores de Cana de Pernambuco (AFCP), divulgado em 20 de maio.
Segundo o meteorologista Alexandre Magno, responsável pelo levantamento, o fenômeno El Niño já apresenta um padrão de aquecimento consolidado no Oceano Pacífico tropical e deve influenciar negativamente o período mais chuvoso do litoral pernambucano, especialmente entre junho e agosto. A previsão é de chuvas entre normal e abaixo da média na Mata Norte e Sul do Estado, além de temperaturas acima da média histórica no Nordeste.
O boletim também alerta para maior probabilidade de veranicos, caracterizados por períodos superiores a cinco dias consecutivos sem precipitação durante o inverno. Segundo a AFCP, a irregularidade climática poderá afetar a distribuição das chuvas em toda a faixa litorânea de Pernambuco.
Atlântico será decisivo para o clima
Apesar do cenário desfavorável provocado pelo El Niño, a entidade destaca que o comportamento do Oceano Atlântico tropical poderá amenizar parte dos impactos previstos para a região. O relatório aponta que o Atlântico Sul apresentou sinais recentes de resfriamento, condição que tende a reduzir a formação de instabilidades e a regularidade das chuvas no litoral nordestino.
Por outro lado, os técnicos avaliam que esse resfriamento ainda é transitório. Caso as águas do Atlântico tropical voltem a aquecer ao longo de junho, associadas à predominância de ventos de leste e sudeste, poderá haver melhora na formação de sistemas convectivos e redução da irregularidade climática prevista para o trimestre.
As projeções climáticas utilizadas pela AFCP indicam tendência de chuvas abaixo da média no trimestre entre junho e agosto. O boletim cita modelos do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF), que mostram maior probabilidade de precipitações reduzidas em parte do Nordeste brasileiro.
No curto prazo, os modelos subsazonais também apontam diminuição das chuvas no último decêndio de maio em praticamente toda a região Nordeste, incluindo a Mata Norte e Sul de Pernambuco. Mesmo com os acumulados acima da média registrados nos últimos meses, a AFCP avalia que o avanço gradual do El Niño tende a comprometer a regularidade das precipitações ao longo do período chuvoso.

