El Niño deve retornar em 2026 com intensidade moderada a forte, diz Climatempo
18-02-2026

Fenômeno pode elevar temperaturas e ampliar risco de temporais no país

Por Andréia Vital

O fenômeno El Niño deve voltar em 2026 com início mais acelerado e intensidade entre moderada e forte, segundo análises da Climatempo. Os primeiros efeitos são esperados a partir de maio, com fortalecimento ao longo do segundo semestre e impacto relevante sobre temperaturas e regime de chuvas no Brasil.

As projeções mais recentes da National Oceanic and Atmospheric Administration indicam maior probabilidade de um evento moderado ou mais intenso entre agosto, setembro e outubro, período em que o aquecimento do Pacífico Equatorial tende a se consolidar. O pico do fenômeno costuma ocorrer entre novembro e janeiro.

O meteorologista Vinicius Lucyrio afirma que o aquecimento anormal das águas já sinaliza cenário semelhante ao observado em 2023. A expectativa é de temporais severos em algumas regiões e ondas de calor mais frequentes e prolongadas em áreas do interior do país.

O El Niño é caracterizado pelo aquecimento das águas superficiais do Pacífico Equatorial, o que altera a circulação atmosférica e redistribui as precipitações. No Brasil, o padrão mais comum inclui aumento de chuva no Sul, especialmente no Rio Grande do Sul, e redução no extremo norte, deixando Amazônia e parte do Nordeste mais suscetíveis à estiagem.

A Climatempo ressalta que 2023 e 2024, considerados os anos mais quentes já registrados globalmente, tiveram influência de um evento forte, com maior frequência de extremos climáticos. Para 2026, a tendência é de temperaturas médias elevadas e maior incidência de tempestades associadas ao calor e à umidade.

O período mais frio do ano ainda pode concentrar incursões de ar polar em maio e junho. A partir de julho, com o avanço do acoplamento entre oceano e atmosfera, a influência do fenômeno deve reduzir a frequência dessas massas de ar.

Entre o fim do inverno e a primavera de 2026, o interior do Brasil pode enfrentar calor intenso e tempo seco. Ondas de calor mais longas tendem a afetar a umidade do solo, o desenvolvimento das lavouras e a formação de reservatórios.

No Sul, a previsão indica maior nebulosidade e episódios de chuva abrangente já no inverno, com risco ampliado de enchentes e eventos convectivos de grande escala na primavera. Parte dessa instabilidade pode alcançar Mato Grosso do Sul e São Paulo.

Na Amazônia, as projeções apontam cheia de rios acima do observado no ano anterior, seguida por vazante mais acentuada. O início do próximo período úmido pode registrar pancadas isoladas entre agosto e setembro no Brasil Central, sudeste do Pará, Minas Gerais, São Paulo e interior do Nordeste, sem garantia de regularização do regime hídrico.

Segundo a consultoria, a irregularidade das chuvas pode afetar abastecimento de água, geração hidrelétrica e planejamento agrícola. A empresa informa que continuará monitorando modelos climáticos globais e dados próprios ao longo de 2026 para atualizar as estimativas.