Em três anos, área cultivada com girassol saltou de 200 para 5 mil hectares no Estado de São Paulo
11-06-2026

Região de Batatais, com cooperados da Coplana, lidera expansão da cultura em áreas de renovação de canaviais

Em busca de alternativas capazes de ampliar a rentabilidade no campo e melhorar o desempenho dos canaviais, o Cana Show Itinerante visitou, no mês de maio, o produtor Sérgio Nakagi, em Jaboticabal (SP). Na propriedade, a rotação de culturas nas áreas de renovação de cana já faz parte da estratégia produtiva e passou a contar, há três anos, com mais uma opção: o girassol.

Ao lado de culturas como soja, amendoim, feijão, alternativas utilizadas na reforma dos canaviais, o girassol tem apresentado resultados positivos tanto do ponto de vista agronômico quanto econômico. A experiência de Sérgio reflete um movimento mais amplo observado no interior paulista, onde a cultura vem ganhando espaço rapidamente.

Segundo Leandro Guerra, representante da Heliagro — empresa privada de sementes com genética de girassol no Brasil —, a expansão é impulsionada por uma combinação de demanda de mercado, facilidade de implantação e benefícios ao solo. Do girassol são produzidos óleo alimentício de alta qualidade, óleo para a indústria, sementes destinadas à alimentação humana e de pássaros, além de farelo para alimentação animal.

O potencial de mercado chama a atenção. Atualmente, o Brasil importa cerca de 80% do óleo de girassol consumido no país. Enquanto a Argentina, grande fornecedora de sementes e óleo, cultiva aproximadamente 1,3 milhão de hectares, a área brasileira está em torno de 100 mil hectares, com Goiás como principal produtor. Para que a cadeia avance, a presença de unidades esmagadoras próximas às regiões produtoras é considerada fundamental.

No nordeste paulista, uma parceria entre a Heliagro e a Cooperativa Agroindustrial Coplana, de Guariba (SP), tem estimulado o cultivo do girassol como alternativa rotacional com a cana. A cooperativa recebe as sementes, realiza a classificação e a secagem e, posteriormente, encaminha a produção para indústrias próximas, onde o grão é transformado em óleo.

A parceria está em seu terceiro ano. No início, foram plantados 200 hectares de girassol. Hoje, somente os cooperados da Coplana na região de Batatais cultivam cerca de 1 mil hectares, enquanto a área total com a cultura no interior paulista já chega a aproximadamente 5 mil hectares.

GANHOS AGRONÔMICOS E ECONÔMICOS COM O GIRASSOL

Entre os principais diferenciais agronômicos, Leandro destaca a maior tolerância à seca. Enquanto culturas como o sorgo necessitam de cerca de 400 milímetros de chuva por ciclo, o girassol pode produzir com volumes entre 200 e 250 milímetros. Essa capacidade está relacionada ao sistema radicular profundo, que pode alcançar quase dois metros.

Por pertencer à família das asteráceas (o mesmo que a alface), o girassol também contribui para uma rotação mais eficiente em áreas tradicionalmente ocupadas pela cana-de-açúcar. A inserção de uma cultura diferente ajuda a quebrar ciclos de pragas e doenças, além de favorecer a melhoria da estrutura física do solo.

Outro benefício apontado é a ciclagem de nutrientes, especialmente de potássio. De acordo com Leandro, para cada mil quilos de girassol produzidos, a cultura deixa em torno de 150 quilos de potássio disponível no sistema, o que pode representar economia relevante na adubação do canavial subsequente.

“Para cada mil quilos de girassol, podemos ter uma economia próxima de R$ 1,5 mil em adubação. Para a cana, isso é muito importante, porque é uma cultura que exige bastante potássio”, explica. Na avaliação do representante da Heliagro, a soma desses fatores faz com que o girassol se encaixe muito bem nas condições produtivas da região.

A flexibilidade de plantio é outro ponto favorável. O girassol pode ser cultivado no verão, no inverno ou como terceira safra, mantendo ciclo semelhante e boa produtividade. Segundo Leandro, produtividades acima de 30 a 35 sacas por hectare já são consideradas muito boas, enquanto áreas de maior potencial podem alcançar de 40 a 50 sacas por hectare, mesmo sem irrigação.

O MANEJO DA CULTURA DO GIRASSOL

Do ponto de vista econômico, a cultura também apresenta atratividade. O investimento médio para implantação é considerado acessível: em muitos casos, o produtor utiliza o equivalente a cerca de 15 sacas para produzir entre 30 e 35 sacas por hectare. Com a saca de girassol cotada em torno de R$ 110 a R$ 115, Leandro avalia que a rentabilidade pode se aproximar da obtida com a soja.

A implantação não exige grandes mudanças na estrutura da propriedade. O plantio pode ser realizado com plantadoras de soja ou amendoim, com ajustes de espaçamento conforme a realidade de cada área. É possível trabalhar com espaçamentos de 45, 50 ou 90 centímetros, sem impacto significativo no desempenho da cultura.

Na colheita, o ideal é o uso de uma plataforma específica, conhecida como girassoleira. No entanto, é possível adaptar plataformas de milho ou utilizar plataformas de soja com pequenas adequações, o que facilita a adoção da cultura por produtores que já trabalham com grãos em rotação com a cana.

Entre os cuidados técnicos, a adubação merece atenção especial. O boro é considerado elemento essencial para o girassol. Na adubação de base, a recomendação citada por Leandro envolve cerca de 50 pontos de fósforo, 50 pontos de potássio e uma cobertura com aproximadamente 100 quilos de ureia, além do fornecimento adequado de boro.