Época úmida é a mais indicada para a liberação do Trichogramma galloi para controle da broca-da-cana
09-12-2019
Usina Pitangueiras é exemplo de sucesso no uso dessa vespinha parasitoide, obtendo índice de Infestação Final de broca de apenas 1,5%
A liberação nos canaviais da Trichogramma galloi, uma vespinha parasitoide, está entre os métodos de controle da broca-da-cana (Diatraea saccharalis), considerada a pior praga da cana, em decorrência de sua ampla distribuição pelo país, atingindo as principais regiões produtoras, e pela gravidade de seus danos.
Mas, o diretor da Global Cana, José Francisco Garcia, salienta que o Trichogramm deverá ser usado apenas no período úmido, ou seja, no final e começo do ano, isso em anos normais – recomenda. “Na época seca, há forte redução da viabilidade dos ovos devido à forte desidratação destes, bem como intensa ação de predação realizada por formigas carnívoras e outros predadores”, esclarece.
Jacqueline Tonielo: “Como produzimos açúcar branco, ter uma cana limpa é ainda mais essencial para que haja qualidade do produto final”
A Usina Pitangueiras, localizada no município paulista de mesmo nome, é exemplo a ser seguido no controle da broca-da-cana. Atualmente, seu Índice de Infestação Final (I.I.F) é de apenas 1,5%. Valor obtido após muito empenho das equipes de campo e alterações nos métodos de levantamento e controle.
A supervisora agrônoma responsável pelo controle de pragas na unidade, Jacqueline Tonielo da Costa, diz que em sua análise, a broca continua sendo a principal praga da cana-de-açúcar. “Hoje, o setor está dando pouca atenção para ela. A broca acabou ficando de lado pelo simples fato de outras pragas – como a cigarrinha-das-raízes e o Sphenophorus levis – estarem em maior evidência.”
A profissional alerta para os prejuízos causados pelo inseto, principalmente quando a cana chega “brocada” na indústria. “Como produzimos açúcar branco, ter uma cana limpa é ainda mais essencial para que haja qualidade do produto final.”
Usina Pitangueiras aposta no método de armadilhas para um levantamento eficiente das populações da broca-da-cana
Foto: Divulgação Global Cana
Jacqueline afirma que o I.I.F é o principal sinalizador de como estão as áreas da usina, sejam próprias (4.640 ha) ou de fornecedores (20.884 ha). É a partir desse número que a empresa tem conhecimento de como a cana está sendo tratada e quais devem ser os direcionamentos para o manejo. “Antigamente, usávamos 20 pessoas para a realização dos levantamentos pós-corte, que tinham como dever amostrar, não somente a broca, mas também as pragas de rizoma e a cigarrinha-das-raízes.”
Por conta disso, o levantamento de 100% das áreas para todas essas pragas era uma tarefa praticamente impossível. “Surgiu então a ideia de direcionarmos essa turma apenas para amostrar pragas de rizomas e auxiliar os fornecedores nos levantamentos de cigarrinha. Para a broca, fui buscar outros métodos de monitoramento. Foi quando descobri o poder das armadilhas.”
Com uma amostragem de broca mais eficiente, a Usina Pitangueiras resolveu apostar no Trichogramma galloi como um aliado ao manejo químico. “Essa vespinha parasitoide atua na fase mais sensível e determinante para o crescimento da infestação da praga: o ovo. Após oito dias do parasitismo, em vez de eclodir a praga, uma nova vespinha Trichogramma galloi eclode deste ovo para prosseguir com o controle na área”, explica Jacqueline Tonielo.
Após mudanças nos métodos de levantamento e controle, índices de infestação final de broca na Usina Pitangueiras caiu para 1,5%
Foto: Arquivo CanaOnline
Atualmente, a Pitangueiras faz liberações semanais de Trichogramma galloi com o uso de drones. Ao todo, são liberadas de 150 mil a 200 mil vespinhas por hectare. “Após 45 dias, fazemos um levantamento populacional para avaliar a eficácia do método. Dividimos a área controlada com Trichogramma galloi em quadrantes. Em cada um deles, coletamos cerca de 30 canas. As rachamos e contamos os entrenós brocados e os totais para obter o índice de infestação. Até o momento, essa vespinha vem entregando uma eficiência altíssima de controle.”
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