Estudo revela variação de até 77% no preço de biodefensivos no Brasil
23-06-2026
Levantamento exclusivo da Aegro revelou altos índices de subdosagem nas aplicações, custo alto sem justificativa técnica e outros problemas que prejudicam a gestão financeira da fazenda
Uma decisão errada na hora de comprar insumos pode pesar no bolso do produtor rural, assim como a aplicação inadequada também traz prejuízos financeiros. De olho nos preços e no manejo com biológicos, o Aegro Insights desenvolveu um estudo exclusivo que analisou os 20 biodefensivos mais usados nas fazendas brasileiras na safra 2025/26. A pesquisa constatou casos de produtos que continham o mesmo agente biológico, mas são vendidos com marcas diferentes e preços premium sem justificativa técnica.
Variação de preços por canais e marcas
De acordo com o estudo sobre bioinseticidas e bionematicidas, o maior impacto na variação de preço do biodefensivo depende do local de compra do insumo. A escolha entre comprar o biológico diretamente com o fabricante, negociar com uma cooperativa ou adquirir em revenda é relevante: a variação de preço para o mesmo produto chegou a 77%. O levantamento revelou que, para a compra de volumes maiores, a negociação direta com o fabricante pode reduzir o preço por litro em até 60%.
O Aegro Insights também observou a oferta de diferentes produtos formulados com o agente Bacillus velezensis e uma variação de preço de R$ 31 a R$ 50 por hectare. Em casos desse tipo, é importante que o produtor se informe adequadamente sobre a formulação de cada produto para entender se existe diferença técnica entre as cepas das soluções e possa decidir se o valor investido é justificável para a realidade da fazenda.
Alerta de subdosagem e os desafios no manejo
O Aegro Insights também constatou muitos registros de subdosagem nas aplicações. Entre os exemplos estudados, 90% das aplicações de Trichodermil Super SC estiveram abaixo da dose mínima recomendada na bula. Enquanto a bula orienta a aplicação de 0,8 a 1,0 L/ha, a dose mediana aplicada pelos produtores ficou em 0,10 L/ha.
“Isso é um problema que desafia o manejo porque a aplicação vai entregar menos controle do que o biológico foi testado para entregar”, alerta o CEO da Aegro, Mauricio Schneider.
De acordo com o CEO, o jogo está mudando no mercado de biológicos no Brasil. O segmento vem crescendo rapidamente e já está em uma fase mais estruturada atualmente. “Observamos ganho de escala na fabricação de biológicos, ampliação da oferta de soluções, redução de custo por hectare e intensidade competitiva entre os fabricantes”, diz Schneider.
Segundo o executivo, o amadurecimento do setor é positivo porque traz novas opções de soluções e possibilidades de manejo para um controle cada vez mais eficiente de alvos. Por outro lado, com a maior oferta de novas tecnologias, o cenário resulta em um maior nível de complexidade para a tomada de decisões. “É fundamental que o produtor procure uma leitura analítica especializada e compre insumos com base em dados técnicos para que consiga gerar valor real na fazenda”, afirma Schneider.
Critérios de compra: Cepas públicas vs. Proprietárias
Os biodefensivos são formulados com agentes biológicos. As cepas públicas podem ser usadas por quaisquer fabricantes, oferecem uma base histórica científica com resultados de uso e podem ter preços mais acessíveis. Já as cepas proprietárias de marcas podem apresentar diferenciação técnica para proporcionar melhor performance no manejo e preço diferenciado, mas é importante que o fabricante apresente evidência agronômica confiável, com base em publicação externa ou ensaio independente.
De acordo com as orientações da Aegro, o produtor deve saber qual é a formulação e identificação do agente biológico, a concentração e a dose correta do produto. É necessário verificar se a janela de aplicação está de acordo com a rotina de operações e se o produto é compatível com as misturas e adjuvantes adotados na fazenda.
Também é fundamental comparar o custo por hectare do biológico com o químico para calcular o ganho real da aplicação e benefícios em sustentabilidade, como redução de resíduos e melhor controle de resistência de alvos.
Mineração de dados reais das propriedades
A pesquisa do Aegro Insights sobre o mercado brasileiro de biodefensivos foi fundamentada na análise estatística de dados de notas fiscais reais, anonimizadas e agrupadas pela Aegro. Segundo Schneider, serão produzidos estudos analíticos com outros temas em breve. “Vamos investir cada vez mais em soluções de mineração e análise de dados para alertar sobre o que pesa no bolso do produtor e orientar sobre as melhores estratégias de gestão”, diz o CEO.
O Aegro Insights é o braço de inteligência de mercado da Aegro. A área foi criada com o propósito de transformar dados reais, consolidados e totalmente anonimizados de milhares de hectares em conhecimento estratégico aplicável para o produtor rural. O resultado desse trabalho é um termômetro preciso do campo para ajudar o produtor a calibrar suas decisões de compra, operação e venda, com o máximo de segurança.

