Etanol brasileiro volta ao foco de disputa comercial com os EUA
03-06-2026

Setor sucroenergético rebate críticas e destaca vantagens ambientais

Andréia Vital

O etanol brasileiro voltou ao centro das discussões comerciais entre Brasil e Estados Unidos após questionamentos apresentados pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) sobre o acesso do combustível norte-americano ao mercado brasileiro. Em nota conjunta, a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (UNICA) e a Bioenergia Brasil defenderam a política tarifária adotada pelo país e reforçaram a importância estratégica do biocombustível na transição energética.

As entidades afirmam que a tarifa aplicada ao etanol importado segue a Tarifa Externa Comum do Mercosul e não foi criada especificamente para os Estados Unidos. Segundo o setor, a cobrança é uma regra aplicada aos países de fora do bloco e está em conformidade com os acordos comerciais vigentes.

No posicionamento, as associações também lembram que os Estados Unidos mantêm há décadas mecanismos de proteção ao mercado de açúcar, com tarifas elevadas e cotas de importação. De acordo com as entidades, essas medidas restringem o acesso do produto brasileiro ao mercado norte-americano e limitam as exportações nacionais.

O setor argumenta que a relação comercial entre os dois países deve ser analisada de forma ampla, considerando as restrições existentes para diferentes produtos do agronegócio e da bioenergia.

Outro ponto destacado pela UNICA e pela Bioenergia Brasil é o papel do etanol de cana-de-açúcar na redução das emissões de gases de efeito estufa. As entidades ressaltam que o combustível é reconhecido internacionalmente por sua baixa intensidade de carbono e por atender critérios rigorosos de sustentabilidade.

Segundo o comunicado, o etanol brasileiro contribui para as metas globais de descarbonização dos transportes, além de fortalecer a segurança energética e ampliar a participação de fontes renováveis na matriz de combustíveis.

As entidades afirmam que acompanham o tema com atenção e defendem que eventuais divergências comerciais sejam tratadas por meio do diálogo entre os governos. O posicionamento ocorre em um momento em que os biocombustíveis ganham espaço nas estratégias de transição energética adotadas por diferentes países.