Etanol deve ganhar espaço na safra 2026/27, projeta Bioagência
17-06-2026
Produção maior e demanda aquecida favorecem o biocombustível
Andréia Vital
A safra 2026/27 do Centro-Sul deverá registrar crescimento da produção de cana, expansão da oferta de etanol e aumento da participação do biocombustível na matriz de combustíveis leves. As projeções foram apresentadas por Tarcilo Rodrigues, diretor da Bioagência, durante a 1ª Reunião da Canaplan, realizada em abril, em Ribeirão Preto – SP, quando foram discutidos os fundamentos econômicos e mercadológicos da safra 2026/27.
Para o ciclo, a consultoria estima moagem de 628,2 milhões de toneladas de cana, avanço de 3,2% sobre a safra anterior. A área colhida deve atingir 8,19 milhões de hectares, enquanto a produtividade média foi projetada em 76,7 toneladas por hectare. O cenário considera condições climáticas favoráveis e renovação dos canaviais, fatores que sustentam a expectativa de recuperação da produção agrícola.
A produção total de etanol no Centro-Sul deverá alcançar 37,95 bilhões de litros, crescimento de 13% em relação ao ciclo anterior. Desse volume, 11 bilhões de litros devem vir do milho, reforçando a importância crescente da matéria-prima no abastecimento nacional. A participação do cereal na oferta total foi estimada em 35,6%, novo recorde para o setor.
Ao mesmo tempo, a produção de açúcar tende a recuar para 38,82 milhões de toneladas. A redução decorre principalmente da menor participação do adoçante no mix industrial, projetada em 47%, movimento que favorece a destinação de matéria-prima para a fabricação de etanol.
A análise também aponta que os fundos de investimento seguem com posição líquida vendida no mercado de açúcar, fator que limita pressões altistas mais consistentes sobre as cotações internacionais da commodity.
Do lado da demanda, a expectativa é de continuidade do crescimento do mercado brasileiro de combustíveis. A projeção indica expansão média de 2,3% no consumo total do ciclo Otto durante a safra 2026/27. O destaque fica para o etanol hidratado, cujo consumo pode avançar 19,1%, enquanto a gasolina apresenta perspectiva de retração de 2,6%.
Esse movimento é sustentado pela competitividade do biocombustível frente à gasolina. As projeções da Bioagência indicam paridade média de 61,3% ao longo da safra, nível considerado favorável para o abastecimento com etanol pelos proprietários de veículos flex.
A consultoria projeta preços médios de R$ 3,83 por litro para o etanol hidratado na bomba em São Paulo e de R$ 6,25 por litro para a gasolina. O cenário considera ainda um mercado internacional de petróleo menos pressionado do que nos anos recentes, com preço médio do WTI estimado em US$ 80,74 por barril.
Na avaliação de Rodrigues, o aumento da oferta não deve gerar desequilíbrios relevantes no mercado doméstico. “O mercado tem potencial para absorver a oferta adicional de etanol”, afirmou. Entre os fatores que podem contribuir para esse cenário estão a ampliação do consumo interno, oportunidades de exportação em momentos de maior competitividade e o avanço da geração de CBios vinculados ao RenovaBio.
A projeção apresentada pela Bioagência indica ainda estoque de passagem de aproximadamente 2,1 bilhões de litros ao final da safra, volume considerado compatível com o abastecimento do mercado e com a manutenção da segurança operacional do setor.

