Etanol pressiona preços e açúcar reduz superávit global
02-03-2026
XP aponta mix alcooleiro forte e divergência nas commodities
Por Andréia Vital
O mercado de etanol segue como principal vetor do setor sucroenergético, com produção elevada no Centro-Sul e terceira semana consecutiva de queda nos preços, segundo o relatório Comentário Semanal Agro Divergências entre commodities, da XP. Apesar do recuo, a paridade frente à gasolina permanece muito acima das médias históricas, sustentada por demanda robusta
No açúcar, a XP projeta redução do superávit global em 2026/27, ainda que o excedente não desapareça. Preços deprimidos tendem a diminuir a área de beterraba na Europa, reduzir investimentos em cana e ampliar a atratividade do etanol. Na Índia, chuvas podem ter afetado a produtividade. Estimativas internas de cinco tradings apontam produção entre 28,5 milhões e 29 milhões de toneladas em 2025/26, abaixo das 30,95 milhões projetadas pela Indian Sugar Bio Energy Manufacturers Association no início do mês
A análise destaca ainda que, mesmo diante de ventos contrários, a safra brasileira deve ser forte. A rentabilidade do biocombustível combinada ao baixo nível de comercialização do açúcar deve manter um mix fortemente alcooleiro. Fundos seguem vendidos na bolsa, o que pode gerar movimentos técnicos. Tensões globais sustentam o petróleo, enquanto a demanda por etanol surpreende positivamente
Nos grãos, o Outlook Forum do USDA trouxe a primeira estimativa para 2026/27 nos Estados Unidos, com aumento de 4,7% na área de soja, o equivalente a 3,8 milhões de acres, e queda de 4,9% no milho, ou 4,8 milhões de acres. No trigo, a área deve recuar 0,7% e a produção cair 6%, em meio à seca que pode piorar as condições das lavouras.
Em proteínas, a carne bovina perdeu competitividade no varejo diante do avanço do frango. O boi gordo no mercado físico se aproxima de R$ 350 por arroba, refletindo oferta enxuta e retenção de fêmeas, mas há sinais conflitantes na demanda doméstica, com cortes em queda e spreads recordes frente a outras proteínas.
Na análise técnica, o contrato do boi gordo BGIG26 renovou máximas e pode testar resistências em R$ 350, R$ 360 e R$ 373, com IFR em overbought (sobrecompra) e divergência de baixa no MACD indicando possível realização no curto prazo.
O relatório foi divulgado no início da semana passada e, portanto, não considera os desdobramentos do conflito entre Estados Unidos e Irã, iniciado na sexta-feira (27). A escalada geopolítica pode alterar a dinâmica de preços, especialmente no petróleo, com potenciais reflexos sobre o mercado de etanol, açúcar e demais commodities agrícolas.

