Excedente pode chegar a 3,6 mi t e levar açúcar a 13,5 cents
02-03-2026
Hedgepoint vê safra 2026/27 pressionando mix no Centro-Sul
Por Andréia Vital
O mercado global de açúcar pode enfrentar excedente de até 3,6 milhões de toneladas entre o quarto trimestre de 2025 e o primeiro trimestre de 2027 caso o Centro-Sul mantenha mix açucareiro semelhante ao da safra 2025/26. Nesse cenário, os preços poderiam testar o piso técnico de 13,5 centavos de dólar por libra-peso em 2026, segundo projeções da Hedgepoint Global Markets.
Na leitura da consultoria, o superávit estrutural no ciclo 2025/26 e na safra 2026/27 tende a manter a faixa de negociação entre 14 e 15 centavos por libra-peso, com risco de movimentos abaixo da arbitragem chinesa, hoje estimada em 14,97 centavos.
“O Hemisfério Norte está voltando com mais açúcar ao mercado ao mesmo tempo. Índia, Tailândia, América Central e América do Norte apresentam recuperação produtiva simultânea. Isso adiciona oferta relevante ao balanço global”, afirmou Lívea Coda, analista de Inteligência de Mercado da Hedgepoint.
Mesmo considerando aumento das importações chinesas de 6,1 milhões para 6,3 milhões de toneladas, o excedente global não seria eliminado. “A disponibilidade mundial continua elevada”, disse.
Na safra 2025/26, o Centro-Sul deve encerrar com moagem próxima de 610 milhões de toneladas de cana, ATR médio de 137,8 quilos por tonelada e mix de 50,6%, resultando em 40,5 milhões de toneladas de açúcar.
Para 2026/27, a Hedgepoint projeta moagem de 630 milhões de toneladas, ATR de 139,5 quilos por tonelada e mix de 48,6% para açúcar, mantendo produção ao redor de 40,5 milhões de toneladas. Ainda assim, o fluxo global seguiria superavitário em cerca de 1,5 milhão de toneladas no cenário base.
Se o Centro-Sul repetisse o mix de 50,6%, o excedente poderia alcançar 3,6 milhões de toneladas. Para zerar o fluxo comercial, seria necessário reduzir o mix para 46,2%.
“O ajuste mais eficiente seria via etanol. Mas há limitações operacionais e contratos já fixados que dificultam uma migração integral”, afirmou Lívea.
A safra 2025/26 deve registrar 12,5 bilhões de litros de etanol anidro e 21,5 bilhões de litros de hidratado. Desse total, 8,9 bilhões e 15,5 bilhões de litros viriam da cana. O etanol de milho responderia por 3,5 bilhões de litros de anidro e 5,9 bilhões de hidratado.
Para 2026/27, o etanol de milho pode atingir 4 bilhões de litros de anidro e 7 bilhões de hidratado, ampliando sua participação na matriz.
Para gerar demanda adicional por hidratado e absorver o excedente de açúcar, o preço na usina em São Paulo teria de recuar de cerca de R$ 3,00 por litro para faixa entre R$ 2,30 e R$ 2,50 por litro, considerando crescimento médio de 2,5 por cento no ciclo Otto.
“Hoje o etanol paga mais não porque o biocombustível disparou, mas porque o açúcar perdeu valor. É um ajuste pelo lado do açúcar”, concluiu a analista.

