Execução supera estratégia como desafio das empresas em 2026
29-05-2026
Pesquisa aponta liderança e gestão como entraves à performance
Andréia Vital
A capacidade de transformar planejamento em resultados concretos passou a ser o principal desafio das empresas brasileiras em 2026. É o que revela a pesquisa Panorama Liderança 2026, realizada pela Amcham Brasil em parceria com a Humanizadas, que ouviu 662 executivos e executivas de companhias de diversos setores. Desse total, 73% ocupam cargos de decisão. As organizações representadas somam cerca de 685 mil colaboradores e faturamento estimado em R$ 814 bilhões.
O levantamento servirá de base para a temporada 2026 do CEO Forum, promovido pela Amcham Brasil entre 19 de maio e 10 de junho em 16 cidades do país. O evento tem como tema “O Desafio da Execução” e deve reunir mais de 5 mil lideranças para discutir gestão, produtividade, inteligência artificial, cultura organizacional e desempenho corporativo.
Para 42% dos entrevistados, o maior obstáculo está em converter a estratégia em planos de ação efetivos. Também aparecem entre os principais gargalos as restrições de recursos, citadas por 35% dos executivos, além do desalinhamento entre áreas e da resistência a mudanças, ambos mencionados por 30% dos participantes. A baixa disciplina na execução e a falta de clareza nas prioridades foram apontadas por 29%.
A pesquisa mostra que a dificuldade das empresas não está na elaboração de estratégias, mas na capacidade de colocá-las em prática de forma consistente, garantindo resultados sustentáveis ao longo do tempo.
Empresas com maior capacidade de execução apresentam características comuns. Entre elas estão clareza estratégica, foco em prioridades, liderança capaz de mobilizar equipes, uso inteligente de dados, adaptação rápida a mudanças, desenvolvimento contínuo de talentos e colaboração entre áreas.
Outro ponto destacado pelo estudo é o impacto da qualidade da liderança sobre os resultados organizacionais. Segundo os entrevistados, lideranças despreparadas contribuem para o baixo engajamento das equipes, apontado por 67%, além da perda de talentos, mencionada por 55%. Também foram citadas decisões equivocadas com aparência de acerto, por 49%, e queda de desempenho nem sempre percebida pelas organizações, por 41%.
As maiores lacunas identificadas entre os líderes brasileiros estão relacionadas a competências comportamentais, especialmente comunicação assertiva, gestão de talentos e inteligência emocional.
A pesquisa também analisou os indicadores mais utilizados pelas empresas para medir desempenho. O atingimento de metas estratégicas lidera o ranking, citado por 83% dos executivos, seguido pelos indicadores financeiros, como lucro, receita e margem, com 81%. Produtividade e eficiência operacional aparecem com 58%, mesmo percentual registrado para engajamento e clima organizacional. A satisfação e retenção de clientes são acompanhadas por 56% das empresas.
O estudo aponta ainda crescimento do uso da inteligência artificial no ambiente corporativo. Entre as aplicações mais citadas estão a transformação de grandes volumes de dados em informações para tomada de decisão, mencionada por 68% dos participantes, a antecipação de riscos e gargalos operacionais, com 62%, e a recomendação de ações para elevar o desempenho, com 50%.
Os resultados indicam que, além de definir estratégias competitivas, as empresas brasileiras enfrentam o desafio de fortalecer processos, lideranças e mecanismos de acompanhamento para garantir a execução das metas estabelecidas.
Baixe a pesquisa completa: Download da pesquisa Panorama Liderança 2026

