Exportações do agronegócio batem recorde em outubro, mas tarifas dos EUA pressionam açúcar e etanol
17-11-2025
Volume cresce em linhas estratégicas, mas sobretaxas reduzem receita e limitam embarques para o mercado americano
Por Andréia Vital
As exportações do agronegócio brasileiro bateram recorde para meses de outubro e somaram US$ 15,49 bilhões, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) compilados no Radar Agro, relatório da Consultoria Agro do Itaú BBA. Apesar do desempenho positivo, as tarifas adicionais impostas pelos Estados Unidos continuam pressionando a receita brasileira e afetando diretamente produtos como açúcar, etanol, carne bovina, café e madeira.
No setor sucroenergético, o mês foi marcado por movimentos divergentes entre açúcar e etanol. Os embarques de etanol recuaram 51% na comparação anual, para 103 mil m³, mesmo com preços 8,3% maiores, alcançando US$ 581,8 por metro cúbico. Já o açúcar manteve trajetória de crescimento em volume, embora sob forte pressão de preços. As exportações de VHP somaram 3,6 milhões de toneladas, alta de 6,8%, com valores médios 17% menores, em US$ 388,7 por tonelada. No açúcar refinado, os embarques chegaram a 596,2 mil toneladas, avanço de 71%, com preços 16% inferiores, a US$ 446,1 por tonelada. O aumento nos volumes reflete uma realocação da demanda global diante da oferta mais curta em outros importantes produtores.
Mesmo com o peso crescente do setor sucroenergético, o avanço mensal das exportações do agronegócio foi sustentado principalmente pelo complexo soja e pela carne bovina in natura. A soja em grão atingiu 6,7 milhões de toneladas em outubro, o maior volume já registrado para o mês, alta de 43% ante igual período de 2024. Os preços permaneceram praticamente estáveis, em US$ 429,4 por tonelada. No acumulado de janeiro a outubro, os embarques já chegam a 100,5 milhões de toneladas, superando o total exportado em todo o ano anterior. Nos derivados, o farelo caiu 5,5%, para 2,2 milhões de toneladas, com preços 18% mais baixos, enquanto o óleo recuou 14%, para 89 mil toneladas, apesar da alta de 17% nos preços, que alcançaram US$ 1.135,9 por tonelada.
A carne bovina in natura também renovou recorde e manteve a trajetória de forte demanda externa, com exportações de 321 mil toneladas, 19% acima de outubro de 2024. Após seis meses de valorização, os preços cederam para US$ 5.538,9 por tonelada, queda de 1,4% em relação a setembro, embora permaneçam 19% acima dos níveis de um ano atrás. A carne de frango alcançou 425 mil toneladas, maior volume do ano, enquanto a carne suína apresentou um recuo mensal, mas ainda superou o desempenho de outubro do ano anterior.
O milho seguiu com embarques firmes, totalizando 6,5 milhões de toneladas, alta de 1,5% na comparação anual. O preço médio subiu 6,1%, para US$ 206,8 por tonelada, sustentado por demanda externa mais forte e menor pressão da nova safra americana.
Apesar do desempenho robusto em diversos segmentos, os efeitos das tarifas americanas seguem limitando as vendas brasileiras. As exportações totais do Brasil para os Estados Unidos caíram 38% em outubro na comparação anual, somando US$ 2,2 bilhões. No agronegócio, apenas 31% desse valor foi referente ao setor, equivalente a US$ 672 milhões, uma queda de 34% em relação a outubro de 2024. O impacto é mais expressivo em produtos diretamente afetados pelas sobretaxas, como carne bovina, açúcar, café, madeira e etanol. Nos últimos três meses, período que captura integralmente o efeito das tarifas, apenas a manga ampliou os volumes enviados aos EUA. Suco de laranja e celulose seguem isentos da tarifa de 40%.
Embora parte dos embarques tenha sido redirecionada a outros mercados, nem todos os produtos possuem flexibilidade logística e comercial para realocação, o que limita a compensação das perdas. O governo americano sinalizou que poderá anunciar reduções tarifárias para café, banana e outras frutas, mas ainda não detalhou se as medidas incluirão o Brasil. A expectativa no setor é que qualquer alívio possa reabrir espaço no mercado norte-americano especialmente para produtos com menor capacidade de desvio de fluxo.

