Futuro da agroenergia no Brasil e expansão do etanol é debatido em Brasília
01-11-2024
Especialistas discutem inovação, sustentabilidade e novas fontes para a produção de biocombustíveis
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) organizou o evento “Agroenergia: Transição Energética Sustentável - Edição Etanol” nesta quarta-feira (30) em Brasília, reunindo especialistas para analisar o potencial da agroenergia no Brasil e explorar inovações na produção de etanol a partir de matérias-primas tradicionais e emergentes.
O evento contou com uma palestra magna de Luciano Rodrigues, professor e pesquisador do Observatório de Bioeconomia da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e também Diretor de Inteligência Setorial da UNICA, intitulada “Potencial da Agroenergia: Transformando a Realidade Energética do Brasil”. Rodrigues apresentou um panorama sobre o crescimento da produção de biocombustíveis, enfatizando a diversificação das fontes, como a expansão do etanol de milho em áreas inadequadas para a cana-de-açúcar. Essa diversificação, segundo ele, fortalece a oferta nacional de combustíveis renováveis e otimiza a segurança e competitividade energética do Brasil.
Rodrigues também abordou temas como acessibilidade de preços e a importância da eficiência produtiva. “A diversificação do portfólio de energias renováveis é fundamental, mas precisamos de avanços técnicos para aumentar a produtividade e fortalecer nossa competitividade”, pontuou.
O primeiro painel discutiu inovações no uso do etanol a partir de cana e milho, com a participação de Luiz Carlos Corrêa Carvalho Carvalho (Caio), presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), Luciana Torrezan, gerente de Inteligência de Mercado da BP Bionergy, e Christopher Davies Junior, diretor de Sustentabilidade da Inpasa. Luciana destacou os esforços da BP Bionergy para melhorar a sustentabilidade e eficiência na produção de etanol. “Adotamos práticas de agricultura regenerativa, substituímos insumos químicos por biológicos e monitoramos áreas para prevenir incêndios”, explicou.
Christopher Davies abordou o papel da Inpasa na ampliação do etanol de milho e o potencial de crescimento do setor, especialmente com o aumento da produção de grãos de segunda safra. “O Brasil pode dobrar sua capacidade de produção de grãos, o que fortalece ainda mais o setor de etanol”, afirmou.
Caio Carvalho, da Abag, destacou o papel dos biocombustíveis na bioeconomia brasileira. Para ele, o Brasil lidera mundialmente o setor, mas políticas públicas são necessárias para garantir custos competitivos e reduzir emissões de gases de efeito estufa. “Precisamos de políticas claras que promovam a valorização das commodities energéticas”, destacou.
No segundo painel, o foco foi para fontes emergentes de etanol, como trigo, agave e sorgo. Camilo Adas, diretor de Transição Energética da B&8, apresentou o projeto de produzir etanol a partir de trigo com ênfase na coleta de matérias-primas locais e baixa emissão de CO2. Já Gonçalo Pereira, professor da Unicamp, abordou o potencial do agave como matéria-prima para biocombustíveis no semiárido brasileiro, destacando sua capacidade de transformação energética.
Klécios Santos, presidente da cooperativa Pindorama, falou sobre a implantação de uma usina de etanol a partir de sorgo em Alagoas, ressaltando o estímulo à produção de sorgo e o potencial de transformação regional que ele traz.

