Gasolina sem reajuste pressiona açúcar e etanol, diz XP
08-04-2026
Relatório aponta queda nas cotações e incerteza no etanol
Andréia Vital
O mercado de açúcar e etanol segue pressionado diante da ausência de reajustes nos preços da gasolina no Brasil, mesmo com o petróleo em patamares elevados no cenário internacional, segundo análise da XP no relatório semanal divulgado nesta semana.
De acordo com a instituição, a manutenção dos preços da gasolina pela Petrobras tem limitado a valorização do etanol no mercado doméstico, reduzindo a competitividade do biocombustível e contribuindo para a queda das cotações ao longo da semana.
Esse movimento ocorre em um contexto de petróleo ainda sustentado por tensões geopolíticas no Oriente Médio, fator que, em condições normais, daria suporte aos preços do etanol e incentivaria um mix mais açucareiro. No entanto, a defasagem nos preços internos tem gerado incerteza sobre a remuneração do biocombustível no curto prazo.
Além da questão dos combustíveis, fatores climáticos também influenciam o mercado. Chuvas acima da média no Centro-Sul atrasaram o início da colheita em algumas unidades, impactando o ritmo de produção no começo da safra. Na primeira metade de março, a produção de açúcar ficou próxima de 6 mil toneladas, abaixo das 53 mil toneladas registradas no mesmo período da safra anterior.
A expectativa é de recuperação gradual na produção ao longo de abril, com volumes mensais mais robustos. Ainda assim, o cenário segue condicionado à definição do mix produtivo, que pode oscilar entre açúcar e etanol conforme a evolução dos preços relativos e da política de combustíveis.
No campo estrutural, o relatório também destaca que o avanço da agenda do E35 pode estimular a demanda por etanol no segundo semestre, enquanto um mix mais alcooleiro no Brasil tende a reduzir a oferta exportável de açúcar.
No relatório, a XP aponta ainda que o mercado acompanha nesta semana a divulgação do relatório WASDE, prevista para 9 de abril, e os dados de exportação da Secex, com potencial impacto sobre proteínas animais em meio às tensões no Oriente Médio.
O relatório também traz análises para grãos, proteínas e indicadores técnicos, com destaque para clima favorável à safrinha no Brasil e comportamento distinto entre as cadeias de carnes.

