Girassol vira alternativa na reforma de canaviais que recebem herbicidas para o controle da grama-seda
12-06-2026
Fornecedor da Usina São Martinho cultivou 400 hectares de girassol Clearfield em área que recebeu herbicida para controle da planta daninha
A presença crescente da grama-seda nos canaviais tem ampliado os desafios de manejo em áreas de renovação. De difícil controle, a planta daninha exige estratégias mais eficientes, como o uso do herbicida Contain®, da BASF. O entrave é que culturas tradicionais de rotação, como amendoim e soja, não são resistentes ao produto. Nesse cenário, o girassol surge como alternativa viável.
Foi o que levou um fornecedor de cana de Itirapina (SP), ligado à Usina São Martinho, a destinar 400 hectares ao girassol em área de reforma. Segundo Leandro Guerra, representante da Heliagro, empresa privada de sementes com genética de girassol no Brasil, a opção foi pelo girassol Clearfield Terra 204.
“Nessa área havia sido aplicado o Contain®, muito utilizado no controle da grama-seda. Depois desse manejo, teoricamente, não seria possível implantar culturas que não fossem resistentes ao produto. Uma opção seria o sorgo Clearfield, mas ele, assim como a cana, é uma gramínea e não rompe o ciclo de pragas. Já o girassol é uma Asterácea, trazendo algo totalmente novo para a área”, explicou Leandro.
Além da resistência ao herbicida, o girassol contribui para a quebra do ciclo de pragas e doenças, melhora a compactação do solo e favorece a ciclagem de potássio. “Para cada mil quilos de girassol produzidos, ficam em torno de 150 quilos de potássio disponível no solo. Isso representa quase R$ 1.500 em adubação que o produtor deixa de gastar”, afirmou.
Na área de 400 hectares, foram aplicados dois litros de Contain®. Em novembro de 2025, o produtor implantou o girassol, colhido entre o fim de fevereiro e o início de março, permitindo o plantio da cana na sequência. O resultado também foi positivo economicamente: 31 sacas por hectare, custo estimado de R$ 12 por saca e comercialização em torno de R$ 110. “Além dos ganhos agronômicos, o produtor teve uma rentabilidade muito significativa”, concluiu Leandro.

