Girlei Marconi será palestrante no 14º Cana Substantivo Feminino
20-03-2026

Guarda Civil Metropolitana abordará violência e rede de proteção às mulheres no evento

Andréia Vital

A Guarda Civil Metropolitana (GCM) Girlei Marconi será uma das participantes do 14º Cana Substantivo Feminino, encontro que reúne profissionais e lideranças do setor bioenergético para discutir a presença feminina e temas sociais ligados à cadeia da cana-de-açúcar. O evento será realizado no dia 26 de março, no Centro de Cana IAC, em Ribeirão Preto – SP.

Ela integrará o painel “Momentos Mulheres Vivas”, que propõe uma reflexão sobre a violência de gênero no país. O Brasil está entre os cinco países que mais matam e violentam mulheres no mundo. A violência contra as mulheres não escolhe classe social, raça ou idade, o que reforça a necessidade de ampliar o debate.

Girlei atua na Patrulha Maria da Penha em Ribeirão Preto - SP, equipe especializada da Guarda Civil Metropolitana criada em 15 de junho de 2018 para acompanhar mulheres vítimas de violência doméstica e familiar com medidas protetivas de urgência. Além dessa atuação, ela é presidente da Associação dos Guardas Civis Metropolitanos e primeira secretária do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher da Prefeitura de Ribeirão Preto.

Durante o encontro, a GCM vai compartilhar experiências vivenciadas no atendimento às vítimas e discutir caminhos para fortalecer a rede de proteção. “Atuar na Patrulha Maria da Penha em Ribeirão Preto me trouxe uma experiência muito forte no contato direto com as vítimas. A gente percebe de perto o quanto muitas mulheres ainda vivem vulneráveis e presas no ciclo da violência. Algumas não conseguem sair por medo, dependência ou até por não perceberem a gravidade da situação”, afirma.

Segundo ela, o trabalho da equipe envolve acolhimento, orientação e atuação firme diante das situações de violência. “Como patrulheira nosso papel é acolher, orientar e também agir com firmeza. Mostrar que a violência não pode ser normalizada e que existe uma rede de proteção pronta para ajudar. Nenhuma mulher precisa enfrentar isso sozinha”.

Girlei também chama atenção para sinais que podem indicar situações de violência, como isolamento social, ciúmes excessivos, controle do parceiro, ameaças, humilhações constantes e mudanças de comportamento motivadas pelo medo. “Nós mulheres não morremos, somos mortas. Por isso não queremos flores, queremos respeito”, diz.

Para ela, o enfrentamento ao feminicídio exige mobilização de toda a sociedade. “O feminicídio é uma realidade que precisa ser enfrentada com urgência. Esse debate precisa envolver também os homens, porque a violência contra a mulher não é um problema só das mulheres. E começa na educação. É na forma como criamos nossos meninos hoje que vamos formar os homens de amanhã”.

“Se queremos um futuro sem violência, precisamos educar para o respeito agora. É isso que a realidade da Patrulha Maria da Penha nos mostra todos os dias”.

As inscrições para o 14º Cana Substantivo Feminino podem ser realizadas pelo link: https://www.sympla.com.br/evento/14-encontro-cana-substantivo-feminino/3304875

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