Governo confirma que avalia aumentar teor de etanol na gasolina
09-04-2026

Alexandre Silveira, ministro de Minas e Energia, disse que governo pode elevar mistura de 30% para 32%

Por Fábio Couto — Rio

O governo confirmou que estuda aumentar o percentual de adição de etanol à gasolina dos atuais 30% para 32%, ainda no primeiro semestre. A medida seria considerada como parte dos esforços de mitigação dos impactos da guerra.

Segundo o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, o aumento da mistura depende de aprovação do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE). Silveira, em entrevista a jornalistas após participar de painel no Fórum Brasileiro de Líderes em Energia - Óleo e Gás, contou que o conselho tem se reunido com mais frequência desde o início da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã.

Para que o percentual de etanol aumente, disse, há a necessidade de realização de estudos, que devem ser concluídos em 60 dias. Ele não descartou ainda a possibilidade de aumento da adição de biodiesel ao diesel fóssil, hoje com percentual de 15%, mas não cravou se a medida pode ocorrer.

Aéreas

Silveira disse ainda que se reuniu com os presidentes das três maiores companhias aéreas do país, junto com a Abear, associação do setor, para tratar das medidas de alívio dos impactos da guerra sobre esse mercado. Ele destacou que o governo retirou tributos federais que incidem sobre o querosene de aviação (QAV) e abriu uma linha de financiamento de R$ 3,5 bilhões para socorrer as aéreas, por meio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

O objetivo do socorro, salientou, é evitar que ocorram reajustes nos preços das passagens aéreas. "Os aeroportos estão cheios e não podemos esvaziá-los por uma guerra que não é nossa. Nosso trabalho é para que os preços das passagens não suba", afirmou Silveira.

Mataripe

O ministro disse ainda que a Petrobras negocia com o fundo Mubadala, dos Emirados Árabes Unidos, sobre a recompra, pela estatal, da refinaria de Mataripe. Ele ressaltou que as conversas se dão há cerca de dois anos e meio e que a negociação não é política, mas comercial, dentro dos critérios de governança estabelecidos pela companhia.

Silveira ressaltou que a compra de Mataripe ainda não avançou por causa do preço pretendido pelo Mubadala.

"As pessoas muitas vezes acham que o governo vai decidir comprar. Não é isso. A Petrobras é uma empresa listada na Bolsa do Nova York, tem seus acionistas, que têm que ser respeitados. E a gente respeita a sua governança. Então, é uma negociação comercial. Ela só vai recomprar se o preço for interessante."

Fonte: Globo Rural