Governo e Alepe negociam socorro à cana em PE
12-02-2026

Setor cobra ajuda após perdas de R$ 500 mi com tarifaço

O governo de Raquel Lyra e a Assembleia Legislativa de Pernambuco se reúnem nesta quinta-feira (12) para tentar construir um acordo que viabilize apoio emergencial ao setor sucroenergético e à pecuária no Estado. A iniciativa ocorre em meio ao impasse em torno da Lei Orçamentária Anual e à pressão de produtores que estimam perdas de R$ 500 milhões na atual safra após o tarifaço dos Estados Unidos.

O encontro terá a participação do secretário de Planejamento, Gestão e Desenvolvimento Regional, Fabrício Marques Santos, representando o Executivo, e do presidente da Alepe, Álvaro Porto. A articulação política foi conduzida por parlamentares como Antônio Moraes, France Hacker, Henrique Queiroz Filho e Jarbinhas, em diálogo com lideranças do setor.

A Associação dos Fornecedores de Cana de Pernambuco afirma que cerca de 10 mil fornecedores foram impactados. Segundo o presidente da entidade, Alexandre Andrade Lima, há expectativa de medidas imediatas para mitigar os efeitos financeiros e evitar retração de investimentos nos canaviais, com reflexos na produção de açúcar e etanol e na manutenção de empregos no interior.

Entre as alternativas em discussão está a doação de adubo aos produtores atingidos, promessa já sinalizada pela governadora. A medida busca reduzir custos na formação da próxima safra e preservar a capacidade produtiva do segmento.

O governo estadual também avalia ações voltadas à pecuária, diante da estiagem que compromete pastagens no Agreste e no Sertão. A proposta é adquirir bagaço de cana das usinas para destinar à alimentação do rebanho, estratégia que pode atenuar perdas no campo e, ao mesmo tempo, gerar demanda adicional para a indústria sucroenergética.

Para que o pacote emergencial avance, será necessário destravar a pauta de votações na Assembleia, atualmente afetada pelo veto da governadora à LOA. Representantes da Sindaçúcar-PE e do Sindicape também participaram de reuniões recentes com deputados estaduais, incluindo o presidente da Comissão de Finanças, Antônio Coelho, em busca de consenso político que viabilize as medidas.