Gramíneas invasoras pressionam produtividade da cana
22-05-2026
Herbishow debate manejo químico e perdas no canavial
Andréia Vital
As dificuldades no controle de gramíneas invasoras e os impactos sobre a produtividade da cana-de-açúcar estiveram entre os principais temas debatidos na 25ª edição do Herbishow, realizada nos dias 13 e 14 de maio, em Ribeirão Preto – SP. O evento reuniu pesquisadores, usinas, consultores e empresas fornecedoras em apresentações voltadas ao manejo de plantas daninhas nos canaviais.
Promovido pelo Grupo IDEA, o encontro trouxe discussões sobre manejo químico, cana tolerante ao glifosato, qualidade da pulverização e estratégias para redução das perdas operacionais causadas por plantas invasoras. A programação também incluiu debates sobre dimensionamento de máquinas, aplicações dirigidas e tecnologias para controle localizado.
Na palestra “Um resumo dos resultados de ensaios de manejo das principais gramíneas da cultura da cana-de-açúcar”, Carlos Azania, pesquisador do Instituto Agronômico (IAC), apresentou resultados envolvendo espécies como grama-seda (Cynodon dactylon) e capim-camalote (Rottboellia exaltata), consideradas entre as principais plantas daninhas que afetam a produtividade da cultura.
Segundo Azania, o avanço da infestação e o atraso no manejo podem gerar perdas severas aos produtores. Dependendo da intensidade da infestação e do tempo de convivência da planta daninha com a cultura, as perdas podem chegar a 100% em determinadas áreas, enquanto níveis médios já provocam reduções entre 40% e 50% na produtividade.
No caso da grama-seda, o pesquisador destacou resultados envolvendo moléculas como Clomazone, Sulfentrazone, Indaziflan e Imazapyr. Já para o manejo do capim-camalote, foram apresentados trabalhos com Flumioxazina, Piroxasulfone, Indaziflan, Clomazone, Tebuthiuron, Pendimentalin e Trifluralina.
Azania também alertou que tanto a grama-seda quanto o capim-camalote conseguem se desenvolver ao longo de todo o ano, apesar da maior incidência durante a primavera e o verão, exigindo planejamento contínuo das operações de manejo.
Na palestra “A arte da guerra no manejo de plantas daninhas: Projeto Mato Zero”, Giovanni Mossin, gerente de Tratos Culturais da Usina Batatais/Cevasa, apresentou estratégias adotadas pela companhia para reduzir a infestação de plantas daninhas nos canaviais.
Segundo o gerente, o projeto foi estruturado com foco em monitoramento contínuo, capacitação das equipes, investimentos em equipamentos e padronização das avaliações de campo. O sistema passou a utilizar auditorias, checklists digitais e divisão das áreas por gestores responsáveis pelo acompanhamento operacional.
Os resultados apresentados mostraram redução do índice de infestação identificado pelas auditorias da Herbae, que saiu de 11,31 em 2024 para 1,66 em 2026.
O material também destacou investimentos em novos equipamentos, aplicações localizadas e monitoramento em tempo real das operações agrícolas. Entre os reforços operacionais apresentados estiveram pulverizadores autopropelidos, microtratores, quadriciclos e integração das operações ao sistema da Solinftec.
Cana tolerante ao glifosato ganha espaço
O manejo em variedades tolerantes ao glifosato também esteve entre os temas técnicos do encontro. Na palestra “Manejo de Plantas Daninhas em Cana-de-açúcar tolerante ao Glifosato”, Fernando Amstalden, do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), apresentou resultados relacionados à plataforma VerdPRO2.
Segundo o material apresentado, a tecnologia permite ampliar o controle de gramíneas, reduzir o número de herbicidas utilizados e aumentar o rendimento operacional das aplicações. O CTC informou que atualmente existem 134 alvos consolidados com registro de controle via glifosato na cultura da cana-de-açúcar, incluindo gramíneas anuais, gramíneas perenes, folhas largas e ciperáceas.
As apresentações também mostraram que falhas no manejo podem ampliar a competição por água, luz e nutrientes, reduzir a longevidade do canavial e comprometer a eficiência da colheita mecanizada. Estudos apresentados durante o evento apontaram perdas de até 52,8% no período úmido em situações de matocompetição.
Qualidade operacional segue no radar
A qualidade das aplicações agrícolas também foi tema do evento. Na palestra “Erros e acertos na aplicação de defensivos na cana-de-açúcar”, Hamilton Humberto Ramos, do Instituto Agronômico (IAC), apresentou dados do programa Aplique Bem sobre inspeções em pulverizadores utilizados na cultura.
Segundo o levantamento, 114 pulverizadores foram avaliados em diferentes regiões produtoras. Apenas 1% dos equipamentos analisados foi aprovado sem falhas, enquanto a maioria apresentou entre seis e 15 problemas operacionais.
As principais inconsistências identificadas envolveram vazamentos, deficiência no sistema de agitação, falhas em filtros, queda de pressão nas barras e problemas na uniformidade de vazão dos bicos de pulverização.
Confira:

