Grunner lança máquina a etanol com potencial de economizar até R$ 2 mi/safra
25-09-2026
Nova máquina inteligente foi apresentada durante o Grunner Day 2026, em Lençóis Paulista (SP), e amplia as alternativas energéticas para usinas que buscam reduzir custos e a dependência do diesel
A Grunner lançou comercialmente sua primeira máquina inteligente movida a etanol, com potencial de reduzir os gastos com combustível de uma usina de grande porte em até R$ 2 milhões por safra. A novidade foi apresentada durante o Grunner Day 2026, realizado nesta quarta (23) e quinta-feira (24), em Lençóis Paulista (SP).
Para o gerente nacional de Vendas e Marketing da Grunner, André Torquetti, a novidade amplia as alternativas de gestão energética das empresas do setor, principalmente para usinas que já produzem etanol e podem passar a utilizá-lo nas próprias operações. A alternativa permite também reduzir a dependência do diesel e ampliar o uso de fontes renováveis geradas dentro das próprias unidades. "O setor busca isso desde a década de 1980. E a Grunner, uma empresa 100% brasileira, de famílias de produtores, teve essa façanha de conseguir entregar esse primeiro equipamento movido a etanol”, destacou durante o evento.
Segundo ele, um dos principais desafios do projeto foi manter a autonomia dos equipamentos a diesel. Para isso, foram instalados tanques de maior capacidade, entre 630 e 1.200 litros, permitindo uma operação de aproximadamente 48 a 92 horas, dependendo da configuração e do tipo de atividade realizada no campo.

Máquina recebeu recebeu tanques com capacidade entre 630 e 1.200 litros visando manter a mesma autonomia dos equipamentos a diesel (Foto: Leonardo Ruiz)
Consumo maior, mas custo menor
Desenvolvido em parceria com a MWM, o novo motor parte de uma plataforma diesel, compartilhando cerca de 85% de seus componentes. Entre os itens específicos desenvolvidos para o etanol destacam-se o sistema de injeção, componentes da aplicação, chicote elétrico e a câmara de combustão, que recebeu alterações para trabalhar com uma taxa de compressão adequada ao biocombustível. Alguns componentes estruturais mantiveram a arquitetura do motor diesel, recebendo apenas adaptações de usinagem.
Segundo o diretor de Engenharia de Produto da MWM – Tupy do Brasil, Jorge Paulo Dantas de Araújo, o maior desafio no desenvolvimento desse novo motor foi obter eficiência diante das características do combustível. Enquanto o diesel tem um poder calorífico de aproximadamente 45 MJ/kg, o etanol tem cerca de 28 MJ/kg. “Devido a essa diferença, precisamos naturalmente de uma quantidade maior de combustível para entregar a mesma energia. Por isso, se alguém algum dia chegar e falar ‘ah, eu fiz um motor a etanol que tem o mesmo consumo do motor a diesel’, não é verdade. Não tem como. É fisicamente impossível”, frisou. Segundo ele, o trabalho da MWM foi buscar a maior eficiência possível, respeitando as características energéticas do biocombustível. “No final das contas, conseguimos obter um desempenho até que bastante impressionante.”
Segundo dados apresentados pela Grunner, o consumo do motor a etanol é de 1,8 a 2,2 vezes o registrado pelo equivalente a diesel. No entanto, de acordo com André Torquetti, em condições de campo, o consumo médio fica em 12,5 litros por hora.
Para os cálculos de viabilidade, a empresa adotou o cenário mais conservador obtido no dinamômetro. Com consumo estimado de 13,1 litros de etanol por hora, a um custo líquido considerado de R$ 2,32 por litro, o gasto seria de R$ 30,60 por hora. Já o trator a diesel chegaria a R$ 56,05 por hora, uma diferença de R$ 25,45 por hora.
Nesse cenário, a estimativa apresentada pela Grunner aponta para uma economia de aproximadamente R$ 2 milhões por safra em uma usina que processa 2,5 milhões de toneladas, utilizando 25 Grunners e 30 conjuntos de tratores de transporte. Em seis anos, o valor chegaria a R$ 12 milhões.

André Torquetti: “O setor busca isso desde a década de 1980. E a Grunner, uma empresa 100% brasileira, de famílias de produtores, teve essa façanha de conseguir entregar esse primeiro equipamento movido a etanol” (Foto: Leonardo Ruiz)
A nova tecnologia poderá equipar todo o portfólio da Grunner, incluindo a Linha ATR, para transbordo de cana; a Linha ASP, para aplicação de vinhaça; e a Linha ADS, destinada à distribuição de sólidos. Por meio do retrofit, também será possível substituir a motorização a diesel de equipamentos já em operação pela nova versão a etanol. Atualmente, são mais de 1.500 equipamentos da marca espalhados pelo Brasil.
O projeto do motor a etanol faz parte de um investimento de R$ 19,5 milhões em novas tecnologias, dos quais R$ 4 milhões foram destinados ao desenvolvimento de uma nova plataforma e R$ 15,5 milhões às novas matrizes energéticas. Além do etanol, a Grunner apresentou também uma versão movida a biometano, ampliando as opções para usinas que produzem seus próprios combustíveis renováveis.
“Etanol e biometano dão às usinas mais alternativas para definir sua estratégia energética. Quem produz o próprio combustível pode avaliar, de acordo com o cenário operacional e econômico, quando utilizá-lo na frota e quando destiná-lo ao mercado”, finalizou Torquetti.

