Grupo Maringá conclui aporte de R$ 70 milhões em cogeração
06-07-2021
Projeto teve apoio do Fundo Clima, operado pelo BNDES
Valor Econômico Agronegócios
Camila Souza Ramos, de São Paulo
O Grupo Maringá, dono da Usina Jacarezinho e de um negócio em siderurgia, concluiu um investimento de R$ 70 milhões na ampliação de sua planta de cogeração de energia a partir da queima do bagaço da cana, que permitirá à companhia vender a eletricidade excedente.
O projeto teve apoio do Fundo Clima, programa do governo voltado a iniciativas que reduzem as emissões de gases de efeito estufa e que é operado pelo BNDES. A unidade Maringá Energia já gerava energia, mas até então apenas para consumo próprio. A partir de agora, a planta passará a ter capacidade de entregar 25 Megawatts/h ao mercado.
A empreitada começou em 2019, quando o BNDES ofereceu à companhia financiamento por meio do Fundo Clima. No caso da unidade de cogeração a partir de bagaço, que funciona sobretudo no período da seca no país, a energia gerada pode substituir a energia das térmicas a óleo e gás.
A companhia recebeu R$ 15 milhões do Fundo Clima, com custo fixo de R$ 4,22% ao ano e prazo de 16 anos, sendo três de carência. O Banco de Fomento emprestou outros R$ 25 milhões por meio do Finem, com custo baseado na TLP. A holding que controla o grupo paranaense aportou R$ 30 milhões.
Segundo Eduardo Lambiasi, diretor corporativo do grupo, a oferta de apoio do Fundo Clima foi fundamental para o projeto, que já integrava os planos da empresa desde 2012. “O projeto fazia muito sentido para o setor, já que havia matéria prima disponível e a empresa vinha tendo um desempenho muito positivo”, disse. O aporte adicionará R$ 11 milhões ao lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) do Grupo Maringá ainda em 2021, afirma o executivo.
Sem a cogeração, o Ebitda da usina esperado para este ano é de R$ 260 milhões – resultado que deve vir das vendas de açúcar e etanol, feitas por meio da Copersucar, da qual é cooperada.
Em 2020, a Usina Jacarezinho processou 2,5 milhões de toneladas de cana, obtendo receita líquida de R$ 447,2 milhões e Ebitda de R$ 187,6 milhões. Para o próximo ano, a expectativa do grupo é mais que dobrar o Ebtida da cogeração, que assim chegaria a R$ 28 milhões.
A empresa traçou as projeções com base nos contratos já firmados com comercializadoras de energia. Para 2021, o grupo tem contratos garantidos de entrega para Copel, Energisa e Safira. Segundo Lambiasi, para o próximo ano também há acordo de entrega de energia com a Copel, que garante 80% da eletricidade. Uma parcela da energia ainda será vendida no mercado livre, pelo preço de liquidação de diferença (PLD).
Mesmo com aumento da geração, o consumo de bagaço resultante da moagem da Usina Jacarezinho não deve ter crescimento expressivo porque a caldeira adquirida é mais eficiente que a anterior. Com isso, a companhia já considera um plano para uma nova expansão de capacidade no futuro, que adicionaria 20 MW de potência.
Do site: Tribuna do Vale

