Grupo Moreno quitou grande parte dos débitos, mas ainda não saiu do status de recuperação judicial
11-01-2022

 Coplasa, unidade da Moreno instalada em Planalto, SP. O Grupo não vai mais precisar vender suas indústrias
Coplasa, unidade da Moreno instalada em Planalto, SP. O Grupo não vai mais precisar vender suas indústrias

A empresa precisa continuar cumprindo algumas etapas.  Mas sem pressão de venda de unidades do Grupo, com seriedade e confiança do mercado o levantamento da recuperação judicial é questão de meses

Diferentemente do que afirma reportagem que circulou nos últimos dias colocando que o Grupo Moreno encerrou o status de recuperação judicial, fonte ouvida pela CanaOnline salientou que a empresa ainda não saiu da recuperação judicial. “Já quitou grande parte dos débitos e agora precisa continuar cumprindo algumas etapas.  Mas sem pressão de venda da usina, com seriedade e confiança do mercado o levantamento da recuperação judicial é questão de meses”, explica a fonte que pediu para não ser identificada.

O Grupo Moreno é formado pelas empresas Central Energética Moreno Açúcar e Álcool, de Luiz Antônio (CEM), Central Energética Moreno de Monte Aprazível Açúcar e Álcool (CEMMA), Coplasa - Açúcar e Álcool Ltda, instalada em Planalto, SP, Agrícola Moreno de Luiz Antônio (AMLA), Agrícola Moreno de Nipõa Ltda. (AMN) e Planalto Bioenergia Spe.

plano de recuperação da empresa, iniciado em 2019, previa o pagamento de 1 bilhão de reais aos credores no prazo de até três anos. Mas o Grupo Moreno anunciou a antecipação do pagamento aos credores para a última quinta-feira, dia 6 de janeiro.

De acordo com a companhia, o bom resultado da safra 2021/22 e o sucesso no financiamento de 1 bilhão de reais junto a investidores possibilitaram a antecipação desse pagamento aos credores. A companhia acertou dois empréstimos no total de R$ 700 milhões do tipo DIP (permitido nas recuperações judiciais), sendo um com a trading francesa Sucden e outro com a gestora Quadra. A Moreno ainda utilizou R$ 300 milhões de seu caixa, gerados nesta safra 2021/22, para pagar os credores.

O plano de recuperação previa que a empresa poderia vender até duas usinas ou, em alternativa, pagar R$ 1 bilhão aos credores em até três anos, de uma dívida que inicialmente alcançava R$ 1,8 bilhão. Com os novos recursos, a Moreno quitou todo o valor devido aos credores e não precisará mais vender suas indústrias. A operação permitiu um desconto de R$ 800 milhões na dívida inscrita na recuperação, conforme previsto em seu plano.

Um fundo gerido pela Quadra comprou R$ 435 milhões em Cédulas do Produtor Rural (CPR) emitidas pela Moreno, com prazo de cinco anos e a um custo equivalente à Libor 10% ao ano. Com a Sucden, o grupo acertou um contrato de pré-pagamento de exportação de US$ 40 milhões (aproximadamente R$ 250 milhões), com prazo de três anos e custo equivalente a CDI 15% ao ano.

Para a estruturação dos financiamentos, as garantias que estavam com os bancos credores foram liberadas e repassadas aos novos financiadores. Com a Quadra, foram dadas em garantia principalmente terras agrícolas, além de recebíveis e soqueiras de cana. Com a Sucden, a principal garantia foi em soqueiras de cana.

O mercado em alta foi fundamental para o bom desempenho do Grupo Moreno, mas a gestão eficiente fez toda a diferença.

Fonte: CanaOnline.