Guerra e volatilidade global reforçam importância de biofertilizantes e da compreensão do etanol como produto bio
08-04-2026
A instabilidade provocada pelos conflitos internacionais e seus reflexos sobre energia, logística e comércio exterior reacenderam o alerta no setor sucroenergético brasileiro sobre a dependência de insumos importados, especialmente fertilizantes.
Kiara Duarte
Para os produtores de etanol, o momento exige acelerar alternativas nacionais capazes de reduzir custos, ampliar a segurança de suprimento e fortalecer a competitividade da produção.
No setor de etanol, os impactos da alta de custos são diretos sobre a produção da cana-de-açúcar, pressionando a margem no campo, o planejamento da safra e a eficiência industrial. Diante desse cenário, ganha força a substituição progressiva de adubos importados por biofertilizantes, organominerais e bioinsumos produzidos no Brasil, em linha com uma estratégia de maior autonomia produtiva e menor exposição a choques externos.
Além de reduzir a vulnerabilidade do setor diante das crises internacionais, os biofertilizantes se ajustam à própria lógica do sistema sucroenergético, que já opera com forte integração entre agricultura, indústria e reaproveitamento de subprodutos. Vinhaça, torta de filtro, compostos orgânicos e outras soluções biológicas podem contribuir para uma agricultura mais eficiente, mais resiliente e mais conectada com a realidade da bioeconomia.
Para o setor, esse debate também precisa recolocar o etanol no lugar conceitual correto: o de um produto essencialmente biológico, renovável e vinculado aos ciclos naturais.
“É fundamental que o etanol seja compreendido, cada vez mais, como um produto bio. Sua origem está na terra, no sol, no carbono retirado da atmosfera pela fotossíntese e na água das chuvas. O etanol nasce de um processo natural e renovável, profundamente ligado à vida, à agricultura e à capacidade de o Brasil transformar recursos biológicos em energia limpa, emprego e desenvolvimento”, afirma Edmundo Barbosa, presidente-executivo do Sindalcool.
Na avaliação do setor, essa compreensão é decisiva para o país avançar não apenas na política energética, mas também na formulação de estratégias para fertilizantes, bioinsumos e segurança produtiva.
“Quando fortalecemos os biofertilizantes e o aproveitamento inteligente dos recursos gerados na própria agroindústria, estamos reduzindo dependência externa, protegendo a competitividade do produtor e reforçando a identidade do etanol como energia de base biológica. Em um cenário internacional instável, isso deixa de ser apenas uma agenda ambiental e passa a ser uma agenda de soberania produtiva e segurança econômica”, acrescenta Barbosa.
A avaliação é que o atual contexto internacional impõe ao Brasil uma dupla tarefa: reduzir vulnerabilidades nas cadeias de suprimento e, ao mesmo tempo, valorizar mais claramente a natureza renovável da sua matriz bioenergética. Nesse esforço, o etanol e os biofertilizantes aparecem como parte de uma mesma estratégia: produzir energia e insumos a partir da força da terra, da biomassa e da inteligência tropical brasileira.
Fonte: Sindalcool

