Hedgepoint: demanda por biodiesel leva margem de esmagamento de soja nos EUA a níveis recordes
28-07-2026
Óleo de soja responde por cerca de 54% da margem do setor, enquanto o processamento norte-americano continua avançando
A demanda por biodiesel nos Estados Unidos ampliou o protagonismo do esmagamento de soja no mercado norte-americano, segundo análise da Hedgepoint Global Markets. Confirmado pelo governo do país em março de 2026, o aumento de aproximadamente 61% no volume obrigatório de biodiesel a ser misturado ao diesel vem impulsionando a procura doméstica por óleo de soja, fortalecendo as margens da indústria e dando suporte fundamental ao mercado da oleaginosa.
A movimentação começou a ganhar força em junho de 2025, quando a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA, na sigla em inglês) apresentou uma proposta que previa elevação de aproximadamente 67% no volume obrigatório de biodiesel. Embora a definição final tenha ficado abaixo da proposta, o avanço de cerca de 61% ainda representa um aumento expressivo e tende a elevar a demanda por matérias-primas destinadas à produção do biocombustível.
“O óleo de soja destaca-se como a principal matéria-prima para fabricação de biodiesel nos EUA. Ao final de março, o governo norte-americano definiu um aumento de aproximadamente 61% no volume, o que, embora tenha ficado um pouco abaixo da proposta, ainda assim resulta em um forte aumento”, afirma Luiz Fernando G. Roque, analista de Inteligência de Mercado da Hedgepoint Global Markets.
Óleo de soja amplia participação nas margens
Os preços do óleo de soja vêm ganhando força desde a apresentação da proposta da EPA e avançaram ainda mais após o início da guerra entre Estados Unidos e Irã, que provocou forte valorização do petróleo, commodity de referência para o mercado de energia. A confirmação da nova mistura obrigatória pelo governo norte-americano reforçou esse movimento.
Com a valorização, a participação do óleo de soja na margem dos esmagadores norte-americanos permaneceu elevada e acima dos níveis observados em temporadas anteriores. Atualmente, o percentual gira em torno de 54%, indicando que o produto responde pela maior parte da margem do setor.
Margem de esmagamento atinge máxima histórica
O aumento dos preços e da participação do óleo de soja também fortaleceu a margem de esmagamento “na tela” nos Estados Unidos. O indicador corresponde à soma dos valores do farelo e do óleo de soja, produtos resultantes do processamento, menos o valor da soja utilizada como matéria-prima. Segundo a análise, essa margem atingiu os maiores níveis da história do país.
“Esse movimento é fundamental para entender e projetar o ritmo de esmagamento dos Estados Unidos, porque os esmagadores norte-americanos têm um grande incentivo para continuar ampliando os volumes diante de uma margem financeira extremamente favorável”, explica Roque.
Os dados de esmagamento seguem apontando níveis recordes e confirmam a força da demanda doméstica por soja. Tanto os resultados mensais quanto o volume acumulado mostram o avanço do processamento no país.
Capacidade continua em expansão
A capacidade de esmagamento norte-americana também segue crescendo, com expansões de plantas existentes e a entrada de novas unidades em operação.
Recentemente, uma nova planta foi inaugurada em Illinois, principal estado produtor de soja dos Estados Unidos, e outros projetos estão previstos para os próximos meses e anos.
À medida que essa expansão avançar, a Hedgepoint entende que o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês) deverá elevar sua estimativa de esmagamento no quadro de oferta e demanda do país. Atualmente, a projeção para a temporada 2026/27 é de 74,8 milhões de toneladas. A análise indica que esse volume deverá superar, em breve, a marca de 75 milhões de toneladas.
Consumo de óleo de soja alcança novos recordes
Paralelamente ao avanço do esmagamento, o consumo de óleo de soja também cresce e atinge novos níveis recordes. Para a Hedgepoint, esse movimento confirma a tendência de aumento da demanda associada, principalmente, à elevação da mistura obrigatória de biodiesel.
“A demanda por esmagamento e a demanda por biodiesel nos Estados Unidos são fatores importantes que devem ser monitorados com atenção, pois suas forças trazem, neste momento, suporte fundamental para o mercado da soja”, conclui Roque.
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