Importação de fertilizantes atinge 45,5 milhões de toneladas e bate recorde em 2025
18-02-2026

Exportações de grãos somam 172,3 milhões de toneladas no ano

Por Andréia Vital

O Brasil encerrou 2025 com recorde na importação de fertilizantes e avanço nas exportações de milho, soja e farelo de soja, segundo o Boletim Logístico de janeiro de 2026 da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O desempenho reforça as perspectivas para a safra 2025/2026 e indica impacto direto sobre a dinâmica de fretes em 2026, em um ambiente de maior distribuição dos fluxos entre Sul, Sudeste e Arco Norte.

As compras externas de fertilizantes somaram 45,5 milhões de toneladas em 2025, acima das 44,28 milhões de toneladas registradas em 2024, alta de 2,68%. O volume representa o maior da série histórica e sinaliza manutenção de área plantada e produtividade. Mato Grosso, Paraná e São Paulo lideraram o consumo do insumo.

Entre os principais pontos de entrada, o Porto de Paranaguá recebeu 10,89 milhões de toneladas, ligeiramente abaixo das 11,04 milhões do ano anterior. O Arco Norte avançou para 8,27 milhões de toneladas, ante 7,5 milhões em 2024. Já o Porto de Santos internalizou 8,42 milhões de toneladas, frente a 8,88 milhões no exercício anterior.

No comércio exterior de grãos, os embarques de milho, soja e farelo de soja totalizaram 172,3 milhões de toneladas em 2025, crescimento de 6,21% sobre as 161,6 milhões de toneladas de 2024.

As exportações de milho alcançaram 40,9 milhões de toneladas, ante 39,7 milhões no ano anterior. O Arco Norte respondeu por 39,3% dos volumes, enquanto Santos concentrou 35,8%. Paranaguá ampliou participação para 12,3%, frente a 3,1% em 2024, e São Francisco do Sul atingiu 7,7%. Mato Grosso, Paraná, Goiás e Mato Grosso do Sul lideraram as origens.

A soja em grão somou 108,1 milhões de toneladas exportadas, acima das 98,8 milhões do exercício anterior. O Arco Norte respondeu por 36,2% dos embarques e Santos por 32%. O Rio Grande participou com 8% e São Francisco do Sul com 5,7%. Mato Grosso, Goiás, Paraná e Rio Grande do Sul concentraram a produção destinada ao mercado externo.

No farelo de soja, as exportações atingiram 23,3 milhões de toneladas, ante 23,1 milhões em 2024. Santos liderou com 43,2% dos embarques, seguido por Paranaguá com 27,8% e Rio Grande com 16,9%. Salvador ampliou participação para 7,4%.

O mercado de fretes rodoviários apresentou comportamento regionalizado em dezembro. Em diversas praças, a menor movimentação típica de fim de ano contribuiu para estabilidade das cotações, enquanto a maior oferta de caminhões limitou reajustes.

Na Bahia e no Maranhão, o menor fluxo de grãos manteve valores estáveis. No Distrito Federal, houve elevação entre 1% e 4%, influenciada pelo diesel e pelas condições financeiras. Em Goiás e Mato Grosso do Sul, a maior movimentação de milho e soja sustentou leve valorização ou manutenção dos preços.

Em Mato Grosso, as tarifas permaneceram em patamar elevado na comparação anual, apoiadas por estoques robustos e expectativa de intensificação da colheita de soja. No Paraná e em São Paulo, as variações foram discretas. No Piauí, houve retração média superior a 9%.

Para o início de 2026, a Conab projeta manutenção do equilíbrio no curto prazo, com tendência de aquecimento gradual à medida que avança a colheita da soja e cresce a demanda por transporte para escoamento da produção.