Insumos somam R$ 27,3 bi e diesel lidera custo da cana
05-03-2026
Herbicidas e inseticidas recuam e aliviam safra 2025/26
Por Andréia Vital
A acomodação dos preços de insumos marcou a safra 2025/26 da cana-de-açúcar e reduziu a pressão sobre o custo de produção, embora combustíveis, fertilizantes e defensivos sigam concentrando a maior parte do orçamento do setor. O mercado total de insumos do segmento sucroenergético somou R$ 27,31 bilhões em 2025, segundo dados apresentados por João Rosa Botão e Eduardo Hanzawa, do Pecege, durante a Expedição Custos Cana, realizada no dia 26 de fevereiro, em Piracicaba - SP.
Os combustíveis responderam por 40% do total, o equivalente a R$ 10,85 bilhões. Fertilizantes somaram R$ 9,29 bilhões e defensivos, R$ 4,72 bilhões. O diesel S10, principal item da categoria, registrou média de R$ 6,09 por litro na safra 2025/26 e mantém estabilidade na projeção para 2026, mas segue como variável sensível a oscilações do petróleo.
No custo operacional estimado em R$ 175 por tonelada na safra 2025/26, os insumos representaram 25%. O movimento de recuo em parte dos preços abriu espaço para recomposição de margens, desde que acompanhado de disciplina na gestão e decisões técnicas orientadas à eficiência produtiva.
No mercado de fertilizantes, a projeção para 2026 indica novas quedas, com ureia menos 5,9%, DAP menos 14,4% e KCl menos 5,3%. A tendência de preços mais baixos já observada ao longo do ciclo favoreceu tanto a formação do canavial quanto os tratos de soca.
Em defensivos, o mercado específico da cana movimentou R$ 5,17 bilhões em 2025. Os herbicidas concentraram 56% do total, com faturamento estimado em R$ 2,89 bilhões, enquanto os inseticidas responderam por R$ 1,385 bilhão. A maior parte das moléculas registrou queda entre 2024 e 2025, como clomazona 360 g L menos 9%, tebutiurom 500 g L menos 10% e diclosulam 840 g L menos 5%.
Para 2026, a projeção do Pecege aponta recuo médio adicional de 8,1% no índice de herbicidas e de 7,4% no de inseticidas, em cenário sem choques geopolíticos relevantes em países produtores. Entre as moléculas químicas, houve redução expressiva em 2025, como ciantraniliprole menos 16%, etiprole menos 22% e tiametoxam menos 14%.
Segundo Eduardo Hanzawa, o mercado de herbicidas permanece estruturado em torno de poucos princípios ativos consolidados. “Tendo dois, três pilares, é um bom caminho. Se tiver os quatro pilares, melhor ainda”, afirmou. Entre os ativos com melhor desempenho em 2025 destacaram-se indaziflam, piroxasulfona e diclosulam, enquanto tebutiurom, sulfentrazona, clomazona e ametrina mantiveram presença relevante.
No segmento de inseticidas, três alvos concentram 92% do mercado, com destaque para broca e cigarrinha. Os biológicos já respondem por 9% da classe de defensivos. “Falar em biológicos na cana é clássico. Cotesia flavipes para broca e Metarhizium para cigarrinha foram os grandes propulsores do controle em larga escala”, disse Hanzawa.
Botão também chamou atenção para o impacto do Sphenophorus Levis na produtividade e para a necessidade de avançar na lógica de relação de troca, avaliando o investimento em proteção da lavoura frente ao ganho potencial de produtividade. Em determinados cenários, o aumento do desembolso pode ser economicamente justificável se resultar em maior diluição de custos por tonelada.
Com maior oferta de princípios ativos, novas misturas prontas e reposicionamento de portfólio pelas empresas, a expectativa é de ambiente mais competitivo em 2026, com efeitos diretos sobre a estrutura de custos da cana-de-açúcar.

