Irrigação por gotejamento reduz custos e impulsiona eficiência na cafeicultura no interior de SP
10-06-2026
A irrigação por gotejamento tem se consolidado como uma estratégia eficiente para reduzir custos e aumentar a produtividade na cafeicultura. Em uma propriedade da Alta Mogiana (SP), a adoção da tecnologia, aliada à fertirrigação, gerou economia anual de R$91 mil no custo operacional devido a redução no número de operações tratorizadas e trouxe ganhos expressivos de eficiência operacional no manejo da lavoura.
Em um cenário marcado por clima adverso e aumento dos custos no campo, o case do Grupo Agam, da família Branquinho, em Pedregulho (SP), evidencia o papel da tecnologia na sustentação da rentabilidade agrícola.
A propriedade, com mais de 300 hectares de café, implementou irrigação por gotejamento em 100 hectares, em parceria com a Netafim, empresa líder e pioneira em soluções inteligentes de irrigação. O impacto foi direto tanto na estrutura de custos quanto na organização das operações no campo.
De acordo com levantamento do produtor, os principais resultados financeiros incluem:
● Redução de R$ 910 por hectare ao ano nos custos com operações tratorizadas
● Economia anual de aproximadamente R$ 91 mil nos 100 hectares irrigados
● Eliminação da necessidade de investir R$ 340 mil em máquinas, como trator e adubadeira
Além disso, houve ganho relevante em eficiência operacional. O número de operações mecanizadas caiu de 17 para 10 por ciclo, o que simplificou o manejo da lavoura, reduziu a dependência de maquinário pesado e trouxe mais agilidade na execução das atividades. Com menos intervenções no campo, a operação passou a ser mais previsível, com melhor planejamento das etapas produtivas e menor exposição a imprevistos logísticos, como janelas curtas de clima favorável ou indisponibilidade de equipamentos.
O uso de equipamentos para monitorar a umidade do solo e automação também contribuiu para uma gestão mais eficiente dos recursos, com redução de até 50% no consumo de água — fator relevante em regiões com disponibilidade hídrica limitada.
Outro ponto de destaque está na economia de insumos proporcionada pela fertirrigação. “Quando aplicamos os fertilizantes via sistema de irrigação, conseguimos direcionar os nutrientes exatamente para a zona radicular, no momento em que a planta mais precisa. Isso aumenta significativamente o aproveitamento e reduz perdas por lixiviação ou aplicações ineficientes”, explica William Ferreira, responsável pela gestão das propriedades.
Segundo ele, esse manejo mais preciso impacta diretamente os custos. “Na prática, a fertirrigação diminui desperdícios e evita reaplicações desnecessárias. Como os fertilizantes representam uma parcela relevante do custo da lavoura, qualquer ganho de eficiência no uso já se traduz em economia direta para o produtor”, completa.
Mais eficiência, mais margem
O aumento da eficiência produtiva tem impacto direto na rentabilidade da atividade. Com custos mais controlados e operações mais enxutas, o produtor ganha maior previsibilidade financeira e capacidade de planejamento de longo prazo.
“Na prática, sistemas como a irrigação por gotejamento permitem uma gestão mais precisa dos recursos, o que se reflete em redução de desperdícios e maior estabilidade produtiva”, explica Rafael Gonzaga, especialista agronômico da Netafim.
Outro ponto relevante é a previsibilidade. Em regiões sujeitas à seca, a irrigação por gotejamento reduz os riscos climáticos e contribui para maior estabilidade na produção, permitindo que o produtor tome decisões com base em dados e não apenas em variáveis climáticas.
“Além de reduzir custos, a tecnologia traz mais controle sobre o sistema produtivo. Isso muda a lógica da operação, que passa a ser menos reativa e mais estratégica”, complementa Gonzaga.
Eficiência e competitividade no campo
Além dos ganhos financeiros, a adoção da tecnologia melhora o uso de insumos, com nutrição mais precisa ao longo do ciclo da cultura, e reduz impactos ambientais, como emissões de CO₂ e compactação do solo.
“O caso do Grupo Agam mostra uma mudança de abordagem no campo: mais do que produzir mais, o foco está em produzir melhor, com menor custo e maior previsibilidade, tornando a tecnologia um fator central de competitividade na cafeicultura brasileira”, finaliza Gonzaga.

