Landell propõe nova estratégia para elevar TCH e etanol por ha
20-02-2026
Diretor do IAC defende 140 t no 1º corte e meta de 10 mil litros por hectare
Por Andréia Vital
“Precisamos estabelecer um novo ponto de partida para a produtividade”. A afirmação é de Marcos Landell, diretor do Instituto Agronômico (IAC), durante o 13º Dia de Campo Coplana, realizado na última semana, em Jaboticabal - SP, onde o instituto participou com a exposição de variedades do Programa Cana IAC.
Ao analisar o cenário da cana-de-açúcar no Centro-Sul, o pesquisador afirmou que, após períodos de baixa precipitação entre outubro e dezembro, janeiro e o início de fevereiro registraram melhor distribuição de chuvas, garantindo bom vigor vegetativo aos canaviais. “É muito provável que tenhamos produtividade próxima ou até um pouco superior à de 2025”, disse à CanaOnline.
Para sustentar ganhos estruturais, Landell defende ajustes no modelo produtivo. Um dos pontos centrais é a janela de plantio. Nas condições normais do Centro-Sul, ele recomenda evitar plantios em janeiro e fevereiro, priorizando o período entre março e maio. A estratégia busca elevar o desempenho do primeiro corte para patamares entre 140 e 150 toneladas por hectare.
Outro eixo é reduzir a queda de produtividade entre cortes. Hoje, a perda média do primeiro para o segundo corte gira em torno de 18%. A meta é aproximar esse recuo de 10%. Em um cenário de 140 toneladas no primeiro corte, o segundo poderia alcançar cerca de 126 toneladas e o terceiro permanecer acima de 110 toneladas, alterando o padrão histórico da lavoura.
Com maior estabilidade ao longo dos ciclos, a necessidade de reforma anual poderia recuar de níveis entre 15% e 18% para algo próximo de 10% da área. Isso reduziria a pressão sobre o plantio e permitiria melhor organização operacional.
Landell também ressaltou a importância da escolha varietal associada ao ambiente de produção, com aumento da população de colmos. “O padrão histórico de 60 mil a 70 mil colmos por hectare precisa evoluir para faixas entre 90 mil e 110 mil”, afirmou. Na avaliação do diretor, a média dos cinco cortes deve superar 100 toneladas por hectare, sendo desejável atingir patamar acima de 110 toneladas.
O impacto seria direto na eficiência industrial. Hoje, São Paulo opera em torno de 6.800 litros de etanol por hectare. Com ganhos consistentes de TCH, seria possível alcançar níveis próximos de 9 mil e até 10 mil litros por hectare, ampliando a competitividade da cana-de-açúcar no mercado de biocombustíveis.

