Lucro da São Martinho já alcançou R$ 1,3 bi nesta safra
16-02-2022
Três meses antes de concluir a safra 2021/22, a São Martinho já caminha para fechar outra temporada com ganhos recordes - e desta vez com lucro superior a R$ 1 bilhão pela primeira vez em sua história. No terceiro trimestre, o resultado líquido alcançou R$ 696,9 milhões, o que levou o resultado acumulado nos nove primeiros meses do ciclo a R$ 1,3 bilhão.
A onda de preços altos das commodities tem sido o grande impulsionador dos resultados desta safra, e deram o tom também no desempenho do último trimestre. Com preços de açúcar elevados e do etanol em forte disparada, devido aos repasses que a Petrobras tem feito ao mercado interno para a gasolina, as receitas cresceram com mais força do que os custos e ainda contornaram a menor oferta provocada pela quebra de safra.
Turbinada pelo etanol, a receita líquida do terceiro trimestre cresceu 26,2%, para R$ 1,5 bilhão, enquanto o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado aumentou ainda mais - 37%, alcançando R$ 892,8 milhões. Com isso, a margem Ebitda ganhou mais 4,6 pontos e atingiu o recorde de 58,3%.
O caixa ainda foi reforçado pela entrada na conta do pagamento anual dos precatórios do antigo IAA, repassados pela Copersucar - no ano passado, o direito foi pago no 2º trimestre. Descontado o valor retido para impostos, os precatórios reforçaram o caixa em R$ 274,1 milhões. Mesmo sem esse efeito, o lucro líquido teria sido maior no mesmo trimestre do ciclo passado.
Fábio Venturelli, CEO da São Martinho, ressaltou que os resultados refletem não apenas a estratégia comercial, mas também as decisões operacionais que resultaram no desenvolvimento de uma "agricultura de ultraprecisão" nos canaviais da companhia.
"Um dos fatores para o resultado é a efetivação de muito investimento que fizemos para viabilizar a agricultura de ultraprecisão, que é pegar o insumo e garantir que ele está sendo usando na quantidade mínima necessária, sem desperdício", afirmou.
A inflação de custos não esteve ausente do balanço. Mesmo assim, a alta dos combustíveis é acompanhada pela apreciação do etanol, que sobe junto com os derivados fósseis, observa Felipe Vicchiato, diretor financeiro. Venturelli acrescenta que a São Martinho também reforçou os tratos culturais nas áreas que foram afetadas pelas geadas no ano passado para evitar problemas futuros.
Em nove meses, o grupo apresentou um fluxo de caixa operacional de R$ 1,3 bilhão, alta de mais de 60%, e uma redução de alavancagem de 10%, a 1,15 vez.
Diante de métricas financeiras confortáveis, a companhia decidiu subir a régua em seu investimento em uma usina de etanol de milho e incorporar novas tecnologias. Para isso, elevou em R$ 100 milhões o capex do projeto, orçado agora em R$ 750 milhões. Do valor adicional, R$ 30 milhões refletem o detalhamento de custos de construção e a inflação de materiais, como aço.
Fonte: Valor Econômico
Texto extraído do boletim SCA

