MAPA projeta safra 2026/27 estável e avanço da bioenergia
17-03-2026

Etanol ganha força e acordo Mercosul-UE entra no radar do setor

Andréia Vital

O setor sucroenergético inicia a safra 2026/27 de cana-de-açúcar com perspectivas positivas para produção, demanda por etanol e avanço das rotas de bioenergia. Para Luiz Gustavo Wiechoreki, coordenador-geral de Cana-de-açúcar e Agroenergia do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), o início da nova temporada ocorre em um ambiente favorável para o setor. “Estamos iniciando esta nova safra com expectativas muito positivas. O Brasil se consolida como referência global em produtividade, sustentabilidade e eficiência na produção de cana-de-açúcar, etanol e bioenergia”, afirmou.

A declaração foi feita em entrevista à CanaOnline durante a 10ª DATAGRO Abertura de Safra Cana Açúcar e Etanol, realizada nos dias 11 e 12 de março, em Ribeirão Preto - SP.

Para o ciclo 2026/27, a expectativa é de expansão moderada da produção, com continuidade dos ganhos tecnológicos e maior integração entre agricultura, energia renovável e novas rotas industriais.

No mercado de biocombustíveis, a tendência é de fortalecimento da demanda por etanol no Brasil e no exterior, movimento associado aos programas de descarbonização e ao crescente interesse internacional por combustíveis de menor intensidade de carbono. “A perspectiva é de fortalecimento da demanda por etanol no mercado interno e externo, impulsionada pelos programas de descarbonização e pela qualidade ambiental do biocombustível brasileiro”, disse.

No campo, a safra deve avançar com ampliação da mecanização e investimentos em inovação, além da maior integração com novas fontes de energia renovável. Nesse contexto, bioeletricidade, biogás e biometano tendem a ampliar participação na matriz energética do setor. “Projetamos uma safra com maior integração com bioeletricidade, biogás e biometano, atividades que contribuem para diversificar receitas e ampliar a competitividade da cadeia”, afirmou.

O coordenador também ressaltou o papel do governo na criação de condições institucionais para o crescimento do setor. O MAPA atua em iniciativas voltadas à ampliação de mercados, ao fortalecimento da segurança jurídica e ao estímulo à bioeconomia.

Acordo Mercosul-UE e mercado de açúcar

Além da cerimônia de abertura, Wiechoreki também participou do painel “Perspectivas para o plantio de beterraba na Europa e atualidades sobre o acordo Mercosul-UE”, que encerrou o primeiro dia da programação.

Durante o debate, o representante do MAPA apresentou detalhes do acordo comercial firmado em janeiro entre os dois blocos após mais de duas décadas de negociações. O tratado prevê a criação de uma área de livre comércio envolvendo cerca de 720 milhões de pessoas e PIB superior a US$ 22 trilhões.

No caso do açúcar, o acordo estabelece uma cota anual de 180 mil toneladas que poderá ser exportada pelo Mercosul para a União Europeia com tarifa zero. Para os volumes embarcados acima desse limite permanecem as tarifas integrais aplicadas pelo bloco europeu, que chegam a € 419 por tonelada para açúcar branco e € 339 por tonelada para açúcar bruto.

A limitação está associada à classificação do açúcar como produto sensível na política agrícola europeia, em razão da forte presença da produção de beterraba no bloco.

Wiechoreki também destacou que o acordo prevê cotas específicas para etanol, com abertura gradual do mercado europeu. Para uso industrial, o volume previsto é de 450 mil toneladas anuais com tarifa zero quando o acordo for plenamente aplicado. Já para etanol combustível e outros usos, a cota inicial é de 200 mil toneladas por ano, com tarifas reduzidas progressivamente ao longo de cinco anos.

Especialistas que participaram do painel destacaram que a implementação do acordo ainda depende de um processo complexo de ratificação na União Europeia. Parte das medidas comerciais já entrou em vigor de forma provisória, mas a expectativa é que a aplicação plena ocorra entre 2027 e 2028.

O debate foi moderado por Pedro Robério Nogueira, presidente do Sindaçúcar AL, e contou também com apresentações de Damian Lluna, conselheiro de Assuntos Comerciais da Delegação da União Europeia no Brasil, e Patrick Chatenay, diretor-geral da Prosunergy Limited, que apresentou projeções para a safra 2026/27 de beterraba na União Europeia.

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