Moagem de cana cai no Norte e Nordeste, mas produção de etanol cresce
01-06-2026

Do total de cana processada no período nas duas regiões, 55,20% foram direcionados para a produção de etanol — Foto: Wenderson Araújo/CNA
Do total de cana processada no período nas duas regiões, 55,20% foram direcionados para a produção de etanol — Foto: Wenderson Araújo/CNA

Fabricação de açúcar diminuiu 15,8% nesta safra em relação a igual intervalo do ano anterior

Por Paulo Santos — Campina Grande (PB)

A moagem de cana-de-açúcar na safra 2025/26 nas regiões Norte e Nordeste, no acumulado até 30 de abril, totalizou 55,9 milhões de toneladas, queda de 2% na comparação com o registrado no mesmo período do ciclo anterior, segundo acompanhamento da Associação de Produtores de Açúcar, Etanol e Bioenergia (NovaBio), com base em dados fornecidos pelo Ministério da Agricultura.

Do total de cana processada no período, 55,20% foram direcionados para a produção de etanol.

Na Região Norte, a moagem alcançou 6,9 milhões de toneladas, permanecendo 5,5% abaixo do registrado em igual intervalo da temporada passada. No Nordeste, o processamento da cana chegou a 48,9 milhões de toneladas, 1,4% a menos do que o volume apurado na mesma data do ciclo passado.

Em nota, o presidente executivo da NovaBio, Renato Cunha, disse que diversos impactos explicam o resultado da safra Norte-Nordeste.

“As unidades produtoras favoreceram o etanol devido às tarifas americanas, que tiraram a competitividade do preço do açúcar, e as condições climáticas explicam a queda na moagem. Do lado positivo, o aumento na produção de etanol é uma contribuição decisiva para a redução de emissões e a transição energética”.

Etanol segue em alta

Considerando as duas regiões, a produção de açúcar, no acumulado da safra até 30 de abril, alcançou 3,135 milhões de toneladas, queda de 15,8% em relação a igual intervalo do ano anterior. A produção total de etanol no Norte e Nordeste até 30 de abril chegou a 3,017 milhões de metros cúbicos, contra 2,239 milhões registrados no mesmo período do ciclo passado, considerando tanto o biocombustível originário da cana quanto o fabricado a partir do milho.

Neste recorte, na categoria de etanol de cana, o volume produzido de anidro somou 892,8 mil metros cúbicos, alta anual de 7,9%, enquanto que no hidratado o montante chegou a 1,392 milhão de metros cúbicos, recuo de 1,4% ante o apurado em igual data do ciclo anterior. No caso do etanol de milho, o volume se manteve, no comparativo com a leitura do final de março, em 732 mil metros cúbicos, sendo 637,5 mil de anidro, e 94,5 mil de hidratado.

ATR

Os dados de Açúcar Total Recuperável (ATR), principal indicador de qualidade da cana-de-açúcar, apontam um recuo de 6,8%. O índice por tonelada de cana também apresentou queda, de 4,9%, na comparação com o mesmo período de um ano atrás.

No comparativo entre projeção e realização da temporada 2025/26, até 30 de abril, o setor alcançou 94,7% da moagem estimada de cana-de-açúcar no total das regiões.

Fonte: Globo Rural