“Murcha da Cana” pode reduzir produtividade dos canaviais em até 30%
18-09-2026
SMC compromete peso e qualidade dos colmos, enfraquece soqueiras e pode reduzir longevidade do canavial; manejo exige diagnóstico, planejamento e ações preventivas
Um canavial sem plantas visivelmente murchas não está necessariamente livre da Síndrome da Murcha da Cana-de-Açúcar (SMC). A ausência de sintomas aparentes pode esconder uma síndrome que atua de forma silenciosa, comprometendo o desenvolvimento dos colmos, reduzindo o vigor e o perfilhamento e afetando altura, diâmetro e peso das plantas. Esses danos refletem diretamente na produtividade e na qualidade da matéria-prima.
Doutor em Ciências Agrárias, Gerente de Planejamento Agrícola na Denusa e consultor da ALLE Consultoria Agronômica, Antônio Carlos de Oliveira Júnior afirma que, dependendo da intensidade do problema e do tempo que a cana permanece no campo, as perdas podem chegar a 30% no TCH e 50% no ATR.
No dia 29 de setembro, o engenheiro agrônomo estará presente no I Grande Encontro de Doenças de Cana e II Simpósio Nacional da Síndrome da Murcha da Cana para falar mais sobre os impactos dessa síndrome, além das melhores estratégias de manejo. O evento será realizado no dia 29 de setembro, no Centro de Cana do Instituto Agronômico (IAC), localizado em Ribeirão Preto (SP). As inscrições já estão abertas.
Os prejuízos da SMC, porém, não terminam na colheita. Outra preocupação apontada pelo engenheiro agrônomo é o impacto sobre a soqueira. Com a planta enfraquecida e o sistema vascular ou radicular comprometido, a capacidade de rebrota diminui, favorecendo falhas e reduzindo a população de plantas.
“Por conta desse impacto, a SMC pode encurtar a vida útil do canavial e obrigar o produtor a arcar com reformas extremamente precoces, levando a um aumento dos custos de produção, uma vez que a renovação é hoje uma das operações mais caras da agroindústria canavieira.”
Para enfrentar esse problema, Oliveira Júnior recomenda uma série de medidas. A primeira delas é entender a real dimensão do problema. “É preciso saber onde a síndrome está ocorrendo, quais variedades estão sendo mais afetadas e qual é a proporção de colmos sintomáticos”, explica.
Para o especialista, o levantamento deve ser relacionado a informações como produtividade, ATR, idade do canavial, época de colheita, ambiente de produção, condição hídrica e ocorrência de pragas de solo. A partir desse diagnóstico, torna-se possível definir as estratégias mais adequadas.
Em áreas nas quais os sintomas já estão avançados, o engenheiro agrônomo ressalta que não há como recuperar o colmo que entrou em processo de deterioração. Nesses casos, a antecipação da colheita pode ser uma alternativa para reduzir perdas adicionais. “O objetivo é retirar a cana antes que a perda de peso e de qualidade se torne ainda maior.”
Já nas áreas que permanecerão em produção, o manejo deve começar imediatamente após a colheita, com foco na recuperação e no fortalecimento da soqueira. Entre as medidas estão a melhoria das condições do solo, a correção de desequilíbrios nutricionais, o estímulo ao desenvolvimento radicular e a redução da compactação e do estresse hídrico.
O controle de pragas de solo também merece atenção. Ocorre que, ao danificar o sistema radicular, elas reduzem a capacidade de absorção de água e nutrientes e podem aumentar o estresse da planta, favorecendo a manifestação da síndrome, especialmente em períodos de maior restrição hídrica.
O engenheiro agrônomo também considera importante trabalhar preventivamente com microrganismos antagonistas aplicados via solo e direcionados à região da soqueira. “Dentro desse programa, vejo potencial para o uso de Bacillus amyloliquefaciens e Bacillus licheniformis, além de espécies de Trichoderma e outros microrganismos benéficos.”
No entanto, o profissional alerta que a controle biológico não pode ser utilizado como uma solução isolada. Deve fazer parte de um programa integrado, associado ao manejo do solo, ao desenvolvimento radicular, ao equilíbrio nutricional, à conservação de água e ao controle das pragas de solo.
Outro ponto de atenção é o planejamento varietal. De acordo com Oliveira Júnior, quando uma determinada variedade apresenta repetidamente maior incidência e intensidade de perdas em um ambiente específico, essa informação deve ser considerada nas decisões de plantio e expansão.
“Em suma, não existe uma aplicação única ou um produto curativo capaz de resolver a SMC depois que o canavial já está severamente comprometido. O manejo precisa ser preventivo, integrado e contínuo”, conclui.
Durante o I Grande Encontro de Doenças da Cana e II Simpósio Nacional da Síndrome da Murcha da Cana, Oliveira Junior apresentará mais informações sobre os desafios do diagnóstico, os impactos da SMC e as estratégias que podem ser adotadas no campo para enfrentar o problema.
Serviço
I Grande Encontro de Doenças da Cana e II Simpósio Nacional da Síndrome da Murcha da Cana
Data: 29/09/2026
Local: Centro de Cana do IAC – Ribeirão Preto/SP
Mais informações: (16) 99181-3350 ou (16) 99701-2900
Assessoria de imprensa: leonardo@canaonline.com.br

