Na Vale do Xingu, biológicos permitem um controle eficiente e sustentável das pragas
09-04-2021

Supervisora de tecnologia agrícola da Vale do Xingu foi uma das debatedoras da live “A adoção do manejo sustentável na formação de canaviais mais produtivos por muitos anos”

Leonardo Ruiz

Na Vale do Xingu, parte agrícola da Companhia Müller de Bebidas, a broca-da-cana (Diatraea saccharalis) é um dos principais fatores redutores de produtividade agrícola. A praga está amplamente disseminada pelos cerca de oito mil hectares de canaviais da unidade, localizada na região paulista de Porto Ferreira. Sphenophorus levis e a cigarrinha-das-raízes (Mahanarva fimbriolata) também podem ser encontradas pelos talhões, dividindo com a broca o ranking de principais pragas da companhia.

Segundo a supervisora de tecnologia agrícola da Vale do Xingu, Joice Natalia Sossai, o manejo de pragas integra métodos químicos e biológicos, visando um controle mais efetivo e sustentável. Em março, a profissional participou da live “A adoção do manejo sustentável na formação de canaviais mais produtivos por muitos anos”, promovida pelo Encontro Cana Substantivo Feminino. Ao longo do mês de março, foram realizadas 10 lives com mulheres que atuam no setor sucroenergético nacional. O evento contou com o apoio da Corteva AgriScience, FMC, Kopper, Microgeo e TELOG.

Durante o evento on-line, a engenheira agrônoma afirmou que a Vale do Xingu está sempre em busca de novas alternativas para minimizar os impactos ambientais. “Por enquanto, não conseguimos utilizar apenas os biológicos, pois a região em que estamos localizados é muito propensa a infestações de pragas. Por conta disso, optamos pelo manejo integrado (MIP). No entanto, quando estabilizarmos nossos níveis de infestação em valores baixos, passaremos a utilizar unicamente o controle biológico.”

Cotesia flavipes, Trichogramma galloi, Metarhizium e Beauveria bassiana são alguns dos produtos biológicos utilizados em larga escala pela Vale do Xingu. Todos adquiridos junto a Koppert, companhia especializada no desenvolvimento de soluções sustentáveis para a agricultura. Seu portfólio conta com biodefensivos macro e microbiológicos, ferramentas de monitoramento e liberação, e inoculantes. “A utilização de biológicos é uma ótima ideia e que proporciona grandes resultados. Nós já até encontramos Cotesia em áreas onde ela não foi liberada. Isso mostra que o próprio meio ambiente já aumentou sua fauna benéfica. Nosso trabalho agora é melhorar o que já temos”, observou Joice.

Outra prática sustentável adotada nos canaviais da Vale do Xingu é a rotação de inseticidas, visando evitar o desenvolvimento de populações resistentes. “Se optarmos por uma diamida, na próxima aplicação utilizaremos um defensivo de grupo químico diferente, como um fisiológico. Com isso, buscamos garantir a performance contínua de todos os produtos.”

A live completa está disponível no canal da CanaOnline no YouTube: