Odebrecht vive o seu momento mais difícil
21-05-2019
O grupo Odebrecht enfrenta a mais difícil crise de liquidez desde que, há quatro anos, chegou ao palco da Operação LavaJato. As dívidas na holding são da ordem de R$ 80 bilhões, sem contar as da Braskem, sendo R$ 40 bilhões com os seis maiores bancos nacionais, que têm nas mãos garantia para apenas R$ 12,7 bilhões do total dos créditos. Mais de R$ 27 bilhões não têm nenhuma cobertura, um risco para o sistema financeiro muito maior do que o representado por qualquer outra companhia que já tenha tido problemas no Brasil.
O grupo precisa de um fôlego de R$ 1 bilhão para manter-se em atividade por mais um ano, enquanto tenta reorganizar-se financeiramente. Com exceção da Braskem, suas empresas já estão inadimplentes há pelo menos seis meses. O dinheiro seria apenas para pagar despesas do dia-a-dia, incluindo compromissos com o Ministério Público.
O fôlego para rodar com recursos próprios chegou ao fim, segundo fontes ouvidas pelo Valor dentro e fora da Odebrecht. A expectativa na companhia é que, nos próximos meses, empresas do grupo entrem em recuperação judicial ou extrajudicial. Entre elas a Atvos, de açúcar e álcool, a Odebrecht Engenharia e Construção (OEC) e o estaleiro Enseada.
O objetivo para 2019 era uma ampla reorganização financeira, para ajustar a dívida de cada negócio à sua realidade de geração de receita e evitar que a holding chegasse à recuperação judicial. Mas o plano não está se concretizando na velocidade e forma planejadas, o que aumenta o risco do grupo a cada dia. Ao Valor, a companhia afirmou em nota estar "confiante no avanço das negociações, que são complexas e demandam tempo".
Há 15 meses o grupo negocia a venda do controle da Braskem ao grupo LyondellBasell, que poderia render-lhe mais de R$ 20 bilhões e viabilizar a renegociação de dívidas. Mas o negócio foi freado pela incerteza sobre o passivo de minas de salgema em Alagoas.
Valor Econômico

