País deve promover biocombustível, diz agência de energia
02-02-2024

O Brasil deve aproveitar o protagonismo global proporcionado pela presidência do G20 e pela organização da COP30 para pressionar os países ricos a financiar a transição energética e para promover os biocombustíveis no mundo. Os conselhos foram dados nesta quarta-feira pelo diretor-geral da Agência Internacional de Energia, Fatih Birol, em passagem por Brasília.

Durante um evento no Ministério de Minas e Energia (MME), Fatih afirmou que o Brasil terá a atenção de todo o mundo nos próximos dois anos e que deve aproveitar a oportunidade. “Estamos passando a bola para o Brasil para que ele faça o gol. Se ele fizer o gol, nós ganhamos, os países ganham e o mundo ganha”, disse o dirigente turco.

Fatih e o ministro do MME, Alexandre Silveira, assinaram um acordo de cooperação para promover uma transição energética “justa e inclusiva”.

A ideia é que o governo brasileiro e a entidade compartilhem dados, avaliem oportunidades e colaborem com os trabalhos na área energética no âmbito do G20 - grupo que reúne 20 grandes economias do mundo, cuja presidência temporária está com o Brasil até novembro deste ano.

“Acredito que o G20 deveria trabalhar para identificar novas oportunidades e novos mercados para os biocombustíveis”, disse o diretor-geral da AIE. De acordo com ele, a necessidade de descarbonização de setores altamente emissores, como aviação e navegação de longo curso, seria atendida com a maior oferta de combustíveis sustentáveis.

“Estamos passando a bola para o Brasil para que ele faça o gol” — Fatih Birol

O uso dos termos “justa” e “inclusiva” na campanha aborda justamente a necessidade de que a transição energética aconteça em todo o mundo, e não apenas nas nações desenvolvidas. Daí a importância de reforçar as tratativas para que os países ricos aumentem o volume de recursos, tanto para a preservação do meio ambiente como para financiar a indústria da energia limpa nos países do chamado “Sul Global”.

Silveira disse que o Brasil pretende acelerar os mercados regionais e globais para itens como hidrogênio verde, biodieseletanol de segunda geração e querosene de aviação sustentável. O ministro ainda pediu apoio de Fatih para a criação da Agência Internacional de Biocombustíveis, que seria uma espécie de primo “verde” da AIE.

O dirigente turco afirmou que a transição energética está acontecendo mais rapidamente do que as pessoas percebem e classificou a energia de fonte solar como a “nova rainha”. Também destacou o grande potencial da América Latina para a produção de metais raros, usados, por exemplo, na fabricação de baterias para carros elétricos, e sugeriu que esses minerais sejam manufaturados na região, e não simplesmente exportados.

Na sua avaliação, a demanda por combustíveis fósseis deve atingir o pico até 2030 e, então, estabilizar e começar a cair. Nesse período, a participação do Brasil como fornecedor global deve subir dos atuais 3% para 4% da oferta, com uma produção de cerca de 4,5 milhões de barris equivalentes por dia.

Após o evento no MME, Fatih participou de um almoço no Palácio do Itamaraty e depois teve um encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Fonte: Valor Econômico