Para sair da crise, Ometto defende CPMF, desde que Estado limite gasto
19-04-2016

Rubens Ometto Silveira Mello, presidente do conselho de administração da Cosan, afirma que é preciso agir para resolver o problema fiscal do Brasil.

Dada a gravidade do déficit, o controlador de um dos maiores grupos brasileiros chega a admitir a volta da CPMF, apesar da alta carga tributária já existente no país.

"A festa já foi dada e a conta terá de ser paga. Precisa ver como fica depois. Se fosse só para resolver o problema [temporário], mas ter a garantia de que o governo não voltaria a gastar mais do que arrecada, poderia ser", diz.

"Quem não vive com R$ 1 mil, não vive com R$ 10 mil. Então, precisa transformar as regras porque se não amanhã vai ter de dobrar, para pagar outra conta", afirma.

Outra alternativa tributária seria aumentar a Cide sobre os derivados de petróleo, diz o controlador da Cosan.

"Mas ela aumenta o preço do diesel e da gasolina, é inflacionária -o que a CPMF também é, mas de maneira mais disfarçada, as pessoas sentem menos [o imposto]. E a CPMF tem a vantagem, para o governo, pela forma que é cobrada. Entra direto na veia e não tem sonegação. Mas não sei o que eles estão pensando", acrescenta.

Sobre a crise política, prefere não fazer comentários, por ora. "Há muita turbulência. É hora dos políticos se manifestarem."

R$ 6,5 BILHÕES foi o lucro bruto em 2015

19,3% foi o aumento da receita líquida da Cosan Limited de 2014 a 2015

R$ 395 MILHÕES foi o lucro líquido no quarto trimestre do ano passado

53,6% foi a variação de Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) no período.