Parceria da São Martinho e da Vivo promete ampliar conectividade rural
03-03-2026

Edi Claudio Fiori, diretor da São Martinho: precisamos cobrir áreas críticas — Foto: Divulgação
Edi Claudio Fiori, diretor da São Martinho: precisamos cobrir áreas críticas — Foto: Divulgação

Serão 44 torres em uma cobertura total de três milhões de hectares, que incluem 350 mil hectares de quatro complexos agroindustriais da companhia

Por Marcos Fantin — São Paulo

A São Martinho anunciou uma parceria com a Vivo para implementar o maior projeto de conectividade rural já desenvolvido pela operadora. Serão 44 torres em uma cobertura total de três milhões de hectares, que incluem 350 mil hectares de quatro complexos agroindustriais da companhia.

As unidades da empresa sucroalcooleira beneficiadas ficam em São Paulo e Goiás. São elas: Usina São Martinho, em Pradópolis (SP); Usina Iracema, em Iracemápolis (SP); Usina Santa Cruz em Américo Brasiliense (SP); e Usina Boa Vista em Quirinópolis (GO).

Além das fábricas da companhia, o sinal das torres deverá alcançar a área de 57 municípios do entorno. Segundo, Edi Claudio Fiori, diretor de TI da São Martinho, o projeto deve oferecer conexão para comunidades rurais, escolas e instituições de saúde localizadas próximas às usinas.

A região contemplada com sinal será 10 vezes maior que o tamanho dos canaviais da São Martinho, porque as lavouras que atendem as usinas da companhia não são contínuas, afirma Fiori. O diretor explica que cada torre cria uma “célula de cobertura” em formato de círculo, e acaba cobrindo áreas que não atendem as usinas da empresa, o que permite beneficiar as comunidades vizinhas. “Uma pessoa na estrada ao lado vai achar sinal de celular, por exemplo”, diz.

As torres vão propagar sinais 4G, NB-IoT e LTE-M. Adriano Pereira, diretor de IoT e Inteligência Artificial da Vivo, explica que o 4G opera na faixa de 700 MHz, uma frequência que tem maior alcance e consegue atravessar melhor obstáculos como vegetação e relevo. Por isso, é mais adequada para áreas rurais.

Já o NB-IoT é uma modulação dentro dessa mesma faixa de 700 MHz que permite conectar sensores a longas distâncias — de até 20 km da torre. Esses sensores conseguem se comunicar mesmo estando mais afastados, o que amplia a cobertura nas áreas produtivas.

O LTE-M funciona de forma parecida, mas com maior capacidade de transmissão. “Consegue trafegar dados maiores, que precisam de mais análise e exigem uma conexão mais robusta”, diz Pereira. O alcance costuma ser menor, em torno de 10 km, mas com mais banda para troca de informações.

Conectividade na frota

Hoje, a frota de máquinas e equipamentos da São Martinho, considerando tratores e carros, soma em torno de 2.200 equipamentos, em média, com 44 sensores em cada. Isso totaliza 100 mil informações monitoradas todos os dias. Com suas operações 100% conectadas, a empresa prevê ganho de produtividade e redução de custos.

“Nossa intenção é complementar os dados que já temos. Nossas áreas têm muitas regiões de sombra [sem sinal] e precisamos cobrir essas áreas críticas”, diz Fiori. Segundo o diretor, a parceria vai melhorar a comunicação em tempo real entre as máquinas e os centros de controle. “Vamos utilizar nossas soluções de automação, telemetria, sensoriamento remoto e monitoramento climático”, afirma.

Fiori não revela o valor investido no projeto, mas ressalta que os investimentos aumentarão mesmo após a instalação de todas as torres. “Vamos adquirir mais sensores, colocar cada vez mais tecnologia embarcada na mão dos funcionários. É o início de uma jornada”, diz.

Segundo Adriano Pereira, da Vivo, o processo mais complexo da instalação é a regularização ambiental, para certificar que as torres não ocupem áreas protegidas, de mananciais ou próximas a aeroportos. A instalação está em andamento. “São prazos confidenciais, mas será o mais rápido possível”.

Fonte: Globo Rural