PIB do agro paulista cresce 4% em 2024, aponta Cepea
25-03-2026
Avanço é puxado por preços, enquanto volume recua no ano
Andréia Vital
O Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio de São Paulo avançou 3,96% em 2024 frente ao ano anterior, segundo o Cepea, da Esalq/USP, em parceria com a Fiesp. Com o resultado, o setor respondeu por 24% do PIB do agronegócio brasileiro, 5,6% do PIB nacional e 18,9% da economia paulista.
O crescimento foi sustentado pela alta dos preços relativos, que subiram 7,1% no período, enquanto o volume agregado recuou 2,93%. De acordo com pesquisadores do Cepea, o desempenho reflete, principalmente, perdas de safra e seus efeitos ao longo da cadeia produtiva.
Entre os segmentos, o de insumos registrou queda de 3,76% em relação a 2023. Os insumos agrícolas recuaram 9,02%, pressionados pela menor rentabilidade das lavouras e pelo custo elevado do crédito, enquanto os insumos pecuários avançaram 4,67%, acompanhando a expansão das cadeias de proteína animal.
No segmento primário, a retração foi mais intensa, de 11,36%. A agricultura caiu 13,31%, impactada pela estiagem prolongada, pelos incêndios em áreas de cana-de-açúcar e pelo avanço do greening nos pomares de laranja. Já a pecuária apresentou recuo mais moderado, de 0,98%, influenciada por preços menos favoráveis na bovinocultura de corte e leite, além do mercado de ovos.
A agroindústria teve crescimento de 6,89% no ano. A indústria de base agrícola avançou 4,41%, impulsionada por preços, apesar da redução de volumes após dois anos de alta, com destaque para a menor produção de açúcar e etanol. Na indústria de base pecuária, o aumento foi de 27,53%, sustentado por demanda firme e maior ritmo de abates.
Os agrosserviços cresceram 7,83%, com alta de 3,33% nos serviços agrícolas e de 29,19% nos serviços ligados à pecuária, refletindo o desempenho positivo dos segmentos a montante.
No longo prazo, o Cepea aponta perda de produtividade do trabalho no agronegócio paulista entre 2012 e 2024. O número de empregos cresceu acima do volume produzido, e, em 2024, a produção de bens e serviços do setor ficou apenas 0,1% acima do nível observado em 2012.

