Pioneirismo e tecnologia colocam a Jalles na vanguarda da Irrigação 4.0
23-02-2026

Irrigação na Jalles é fruto de um processo construído ao longo de mais de três décadas. Foto: Divulgação Jalles
Irrigação na Jalles é fruto de um processo construído ao longo de mais de três décadas. Foto: Divulgação Jalles

Torre de Controle Agroindustrial da empresa permite o acionamento remoto de pivôs, motobombas e carretéis, além do monitoramento em tempo real dos níveis de reservatórios e do desempenho dos equipamentos

Por Leonardo Ruiz

A irrigação vem se consolidando como um dos principais pilares para a sustentabilidade e a estabilidade da produção de cana-de-açúcar no Brasil, sobretudo em regiões marcadas por elevada variabilidade climática. Na Jalles, referência nacional no setor bioenergético, essa consolidação é fruto de um processo construído ao longo de mais de três décadas, iniciado ainda na década de 1990, quando os primeiros sistemas foram implantados com foco no salvamento do canavial e, gradualmente, evoluíram para modelos mais eficientes e tecnologicamente avançados.

Essa trajetória, pautada por investimentos contínuos, adaptação aos desafios climáticos e inovação no manejo agrícola, foi apresentada pelo Gestor de Processos Agrícolas da empresa, Patrick Francino Campos, durante o Encontro Técnico “Irrigação em cana-de-açúcar e seus desafios: variedades responsivas, produtividade e colheitabilidade”, promovido em setembro de 2025 pelo Grupo de Irrigação e Fertirrigação de Cana-de-açúcar (GIFC).

Segundo Patrick Francino Campos, a missão da Jalles sempre esteve ancorada na oferta de soluções sustentáveis e inovadoras

Foto: Divulgação Jalles

Ao contextualizar essa evolução, Campos destacou que a missão da Jalles sempre esteve ancorada na oferta de soluções sustentáveis e inovadoras, com foco no bem-estar das pessoas, na geração de alimentos e bioenergia e na criação de valor para a sociedade. Esses princípios, segundo ele, ajudam a explicar por que a irrigação foi incorporada tão cedo ao processo, muito antes de se tornar tendência no setor.

Da irrigação de salvamento às tecnologias de controle remoto

O cenário atual dos canaviais da Jalles - marcado por pivôs acionados à distância, lâminas de água ajustadas em tempo real e reservatórios monitorados por meio de plataformas digitais — é resultado de uma trajetória construída ao longo de mais de três décadas. Na empresa, a irrigação não surgiu como luxo, mas como resposta a desafios agronômicos e climáticos típicos de uma região caracterizada por solos de baixa retenção hídrica e chuvas mal distribuídas.

Os primeiros passos datam do início da década de 1990, quando a irrigação começou a ser utilizada com um objetivo bastante específico: auxiliar no controle da lagarta-elasmo (Elasmopalpus lignosellus), praga que comprometia a brotação da cana-de-açúcar. Naquele período, os sistemas disponíveis eram rudimentares, exigiam grande volume de mão de obra e operavam com equipamentos autopropelidos convencionais, o que demandou uma intensa curva de aprendizado por parte das equipes técnicas.

Com o tempo, Jalles investiu na modernização da infraestrutura, como a construção de novos barramento e ampliação de barramento existentes

Foto: Divulgação Jalles

Esse movimento pioneiro abriu caminho para avanços mais estruturados. Em 1998, a unidade Jalles Machado (GO) tornou-se uma das primeiras usinas do país a instalar pivôs de irrigação desenvolvidos especificamente para a cultura da cana-de-açúcar, consolidando a irrigação como ferramenta estratégica dentro do sistema produtivo da empresa.

Com as unidades Jalles Machado e Otávio Lage localizadas no início da bacia do Alto Tocantins — região caracterizada por pequenos cursos d’água e limitada disponibilidade hídrica para grandes projetos —, a expansão da irrigação exigiu muito planejamento. A partir dos anos 2000, a empresa passou a investir em pivôs rebocáveis com lâminas reduzidas e na construção de barramentos, viabilizando o uso racional da água.

Com o passar do tempo, a irrigação deixou de ser apenas uma ferramenta de “salvamento” para enfrentar períodos críticos de estiagem e passou a assumir um papel mais suplementar, contribuindo de forma consistente para o aumento da produtividade agrícola e a maior estabilidade da produção, mesmo em safras climaticamente adversas.

Central de Operações de Irrigação é capaz de operar remotamente pivôs, motobombas e carretéis, além de monitorar, em tempo real, os níveis de reservatórios e o desempenho dos equipamentos em campo

Foto: Divulgação Jalles

Em 2012, a empresa criou a Central de Operações de Irrigação (COI), que foi incorporada à Torre de Controle Agroindustrial em 2020. Esse ambiente é capaz de operar remotamente pivôs, motobombas e carretéis, além de monitorar, em tempo real, os níveis de reservatórios e o desempenho dos equipamentos em campo. “É a tecnologia a serviço da sustentabilidade e das pessoas”, ressaltou Campos.

Paralelamente, a Jalles investiu na modernização da infraestrutura, com a substituição de motores simples, de 110 m³/h, por conjuntos duplos, de até 220 m³/h; no desenvolvimento de novos projetos de pivôs, com lâminas anuais que chegam a 400 mm; na construção de novos barramento e ampliação de barramento existentes; na adoção de sistemas de gotejamento e na qualificação contínua da mão de obra. Esse conjunto de ações levou a empresa a consolidar sua entrada na chamada “Irrigação 4.0”.