Planejamento e nutrição aprimoram plantio da cana
03-09-2019
Definição dos traçados e áreas de manobra, alocação de variedade segundo o ambiente de produção e utilização de macro e micronutriente fazem a diferença na hora do plantio
Leonardo Ruiz
A vida de Paulo Roberto Artioli não é fácil. Diretor da Agrícola Tecnocana, o produtor precisa suar a camisa para conseguir manter a produtividade de seus 13600 em altos patamares. Afinal, cerca de 80% dos solos da propriedade são considerados desfavoráveis, com ambientes variando entre “D” e “E”.
Porém, mesmo num ambiente “inóspito”, Betão - como é conhecido no setor – consegue tirar leite de pedra. Ou açúcar da cana. Anualmente, sua produtividade agrícola ultrapassa a casa das 80 Toneladas de Cana por Hectare (TCH), número difícil de ser obtido até mesmo por unidades que trabalham em solos melhores. “O segredo é não tirar o pé do acelerador. Mesmo num período de instabilidade econômica, em que a baixa remuneração e o alto custo de produção assustam o segmento.”
| Mesmo com 80% de solos desfavoráveis, Betão consegue altos números de produtividade nos mais de 13 mil hectares da Agrícola Tecnocana. |
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| Foto: Banco de dados Internet |
O produtor conta que, todos os anos, são reformados cerca de 2500 hectares de sua propriedade. A idade média dos canaviais varia entre 2.6 e 3.2 anos. “Como cultivamos em solos adversos, precisamos manter sempre canas novas para ter produtividade e rentabilidade. Por conta disso, não deixamos de investir pesado no plantio, operação onerosa, mas de extrema importância para o sucesso da atividade.”
Planejamento extenso, alocação correta das variedades de acordo com o ambiente de produção, plantio mecanizado, agricultura de precisão, nutrição diferenciada e sistemas de manejo, como preparo profundo e a Meiosi, são algumas das apostas da Agrícola Tecnocana para alcançar excelência no plantio da cana-de-açúcar.
Planejamento criterioso é o segredo da Tecnocana para um plantio com excelência
Tudo tem início no planejamento das áreas. Levantamento topográfico e análises de solo são os passos iniciais. Uma vez coletadas essas informações, é hora de discutir com os encarregados os melhores traçados e áreas de manobra para que não haja problemas com pisoteio, ainda um dos maiores vilões da queda de produtividade. “Ainda no plantio, temos que pensar em como aumentar a produtividade da colheita. Traçar as rotas e destorroar o solo são algumas técnicas que farão com que a colheitabilidade daquele talhão alcance o máximo de eficiência possível”, conta Paulo Roberto “Betão” Artioli.
| Escolha dos traçados e áreas de manobra é essencial para evitar pisoteios da linha da cana. |
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| Foto: Leonardo Ruiz |
Em seguida, entra o lado varietal. Neste momento, devem ser discutidos quais os materiais que melhor responderão àquele tipo de solo. De acordo com Betão, variedades em ambientes desfavoráveis são mais difíceis de serem produzidas pelos institutos de pesquisa, daí a necessidade de realizar constantemente experimentos buscando encontrar as melhores opções.
Atualmente, os carro-chefe nos 13600 canaviais da Agrícola Tecnocana são: RB867515, SP83-2847, CTC 9001, CTC 4, CTC 20, RB966928, RB975952 e IAC 5000. “Lembrando que nosso objetivo é ter no máximo 15% de cada variedade.”
Já o plantio em si é realizado com o auxílio de plantadoras automatizadas. O produtor relata que o nível de eficiência da operação está aquém do ideal, em função principalmente do alto consumo de mudas, que chega a 16 toneladas por hectare. “No entanto, estamos trabalhando diariamente para o aprimoramento do plantio mecanizado que, na minha opinião, é um caminho sem volta.”
| Embora antiga, a RB867515 ainda é uma das melhores opções para solos desfavoráveis. |
| Foto: Leonardo Ruiz |
Para ele, a escolha de variedades conforme o ambiente de produção, o preparo adequado do solo e a qualidade da muda são alguns fatores considerados essenciais para que o plantio mecanizado seja bem-sucedido. A necessidade de se trabalhar com nematicidas, inseticidas e fungicidas de maneira criteriosa, para que sejam minimizados problemas com pragas e doenças, também foi um ponto lembrado por Betão.
Por fim, há a questão do espaçamento. “Não há mais receita de bolo para cana”, constata. Segundo ele, é preciso avaliar os fatores regionais para o planejamento e condução da cultura, inclusive para o plantio. “No caso do espaçamento, o que melhor se adapta às nossas condições é o de 0,90 m x 1,50 m, conhecido como duplo alternado, pois ele possibilita um melhor controle de tráfego e preserva a linha de cana.”
Canaviais de baixa fertilidade exigem investimento extra em nutrição
A nutrição é outro fator de atenção na hora de reformar o canavial. Principalmente em áreas com solos de baixa fertilidade – como os da Agrícola Tecnocana -, que exigem boas práticas de manejo, como um bom preparo de conservação, calagem, gessagem, adubos verdes, época correta de plantio e uma boa adubação mineral.
| Ademilson Palharin: “É fundamental que no momento do investimento em nutrição, o produtor tenha em mãos a análise de solo da área”. |
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| Foto: Banco de dados Internet |
Para o especialista agronômico da Yara, Ademilson Palharin, é fundamental que no momento do investimento em nutrição, o produtor tenha em mãos a análise de solo da área, pois quase sempre os solos apresentam deficiências nutricionais e, por conta disso, é de extrema importância conhecer a disponibilidade dos minerais nele existentes para se fazer as correções necessárias.
“A falta de qualquer macro ou micronutriente no solo ou no fertilizante faz com que haja uma redução na produtividade da cana e, consequentemente, na produção de açúcar. Por isso, é importante que se faça um bom investimento em nutrição para fornecer os nutrientes essenciais para a reforma/plantio da cana-de-açúcar, como tratamento de toletes; adubação em sulco de plantio com um fertilizantes NPK no grão com micronutrientes; redução de potássio em sulco de plantio para melhor germinação/brotação, mudando o manejo do potássio e o aplicando em quebra lombo; além de adubação foliar com micronutrientes.”
| Serviço de recomendação nutricional da Yara surgiu da demanda por ferramentas mais confiáveis e embasadas agronomicamente |
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| Fonte: Divulgação Yara |
O profissional afirma que este equilíbrio nutricional, aliado a outras técnicas de manejo e adubação da soqueira, trará uma maior rentabilidade, produtividade e longevidade ao canavial.
Pensando em auxiliar o produtor no momento da reforma e plantio, a Yara, líder mundial em nutrição de plantas, desenvolveu um programa nutricional para cana-de-açúcar chamado de “Longevita”, que visa dar maior longevidade e proporcionar mais cortes aos canaviais tratados.
Palharin explica que este programa nutricional está ligado a uma ferramenta chamada de “Sistema de Recomendação de Nutrição Yara”, que através da interpretação de dados de análises de solo aliadas ao conhecimento agronômico da companhia, fornece as soluções nutricionais mais adequadas para a obtenção de melhores produtividades e maior rentabilidade da lavoura.
| Programa Longevita, da Yara, visa dar maior longevidade e proporcionar mais cortes aos canaviais tratados |
| Foto: Arquivo CanaOnline |
PARA O PLANTIO DA CANA-DE-AÇÚCAR A YARA DISPÕE:
- YaraBasa: Multinutrientes no mesmo grânulo, com micros de alta performance, alta concentração e solubilidade de fósforo e enxofre com redução de potássio no sulco de plantio, fornecendo uma nutrição necessária para um bom desenvolvimento da cultura.
- YaraVita: Linha de fertilizantes líquidos para aplicação via tratamento de toletes, corte da soqueira e em via foliar. Possui agentes estabilizantes que proporciona melhor absorção de nutrientes e desenvolvimento da lavoura. Pode ser misturado no tanque com a maioria dos defensivos, gerando maior rendimento operacional, qualidade e segurança na aplicação.
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