Pressão no açúcar contrasta com firmeza do etanol e ajustes em grãos e fertilizantes
12-01-2026

Oferta global elevada, consumo doméstico resiliente e incertezas sobre a safrinha moldam o cenário das commodities agrícolas

Por Andréia Vital

A percepção de maior oferta global manteve os preços do açúcar pressionados em dezembro, enquanto o etanol seguiu em trajetória de valorização no mercado interno, sustentado por consumo firme e estoques mais ajustados no fim da safra. O quadro faz parte da leitura para o próximo ciclo apresentada no Boletim de Commodities referente a janeiro, elaborado pela área de Pesquisa de Mercado da FG/A.

No mercado de açúcar, o ambiente segue marcado por abundância de oferta no ciclo global 2025/26. No Centro-Sul, a moagem acumulada até a segunda quinzena de novembro alcançou 592 milhões de toneladas, com expectativa de processamento próximo de 610 milhões de toneladas até março, apoiada pela boa disponibilidade de matéria prima. Mesmo com ATR médio acumulado em queda, a produção somou 39,9 milhões de toneladas no período, e o mix açucareiro manteve se elevado em 51,1 por cento, acima do observado na safra anterior.

No exterior, o forte desempenho da safra indiana, com 11,9 milhões de toneladas produzidas desde outubro, reforçou o viés baixista de curto prazo.

O etanol, por sua vez, apresentou alta mensal de 3,6 por cento no hidratado líquido ao produtor, alcançando R$ 3,12 por litro, segundo o indicador do Cepea. A menor disponibilidade na reta final da safra, combinada com consumo resiliente do ciclo Otto, que cresceu 2,7 por cento no acumulado até novembro, manteve o balanço de oferta e demanda mais ajustado. A perda de competitividade do açúcar também estimulou maior direcionamento do mix para o biocombustível.

O documento cita que a soja recuou com força em Chicago diante do receio de estoques elevados nos Estados Unidos e do ritmo abaixo do esperado das compras chinesas. Apesar da retomada do plantio no Brasil, que alcançou 98,2 por cento da área, a semeadura tardia em regiões como Matopiba, Goiás e Minas Gerais elevou riscos produtivos e levou produtores a avaliar alternativas para a safrinha.

A Conab manteve a projeção de safra recorde, mas ajustou o volume para 177,1 milhões de toneladas. Em Chicago, a oleaginosa foi negociada a US$ 10,42 por bushel, queda mensal de 5,7 por cento.

No milho, a demanda externa firme deu suporte às cotações internacionais após o USDA elevar a projeção de exportações dos Estados Unidos. No mercado interno, a incerteza sobre a janela da safrinha reduziu o ritmo de comercialização. No Mato Grosso, as vendas atingiram 25,2 por cento da produção, abaixo da média histórica, resultando em comportamento misto dos preços entre as regiões.

Já o mercado internacional de fertilizantes, segundo o relatório, registrou queda acentuada dos fosfatados em dezembro, enquanto no Brasil os preços das entregas importadas seguiram em alta, destoando do movimento externo. Esse descompasso deteriorou a relação de troca frente aos grãos, comprimindo o poder de compra dos produtores.

Embora as entregas ao mercado interno tenham somado 40,95 milhões de toneladas entre janeiro e outubro, o boletim ressalta que parte do avanço reflete a substituição por formulações menos concentradas, o que exige cautela quanto à eficiência agronômica da próxima safra.