Previsto para 2026, El Niño deve alterar clima no Brasil; saiba como
26-01-2026
Fenômeno tende a elevar temperaturas, intensificar temporais no Sul e tornar as chuvas mais irregulares em grande parte do País
O ano de 2026 deve ser marcado pela atuação de um novo episódio do fenômeno El Niño, com impacto direto sobre o regime de chuvas, as temperaturas e a ocorrência de eventos extremos no Brasil. A avaliação é da Climatempo, com base em análises recentes de centros internacionais de monitoramento climático.
Segundo a meteorologista Josélia Pegorim, o El Niño costuma aquecer o ar e tornar a chuva mais irregular na maior parte do território brasileiro. Em contrapartida, aumenta os volumes de precipitação no Rio Grande do Sul e no extremo norte do País, além de elevar o risco de temporais severos.
“O El Niño deixa o ar mais quente e faz com que a chuva ocorra de forma irregular, na maior parte do país. Mas o fenômeno aumenta a chuva no Rio Grande do Sul e também no extremo norte do País”, explica.
A principal preocupação, segundo a especialista, é a combinação de oceano e atmosfera mais quentes, que favorece a ocorrência de tempestades intensas. Esse cenário ganha peso em um contexto de aquecimento global. Os anos de 2023 e 2024 foram os mais quentes já registrados no planeta desde o período pré-industrial, entre 1850 e 1900.
De acordo com o programa de monitoramento climático da União Europeia, Copernicus, 2025 marcou a maior média anual de temperatura já observada na Antártida. Os dois anos mais quentes coincidiram com a atuação de um El Niño forte.
Altas temperaturas (manchas vermelhas) no Oceano Pacífico Equatorial, como observado entre 1 e 10 de junho de 2023, são características do El Niño
Fonte: NOAA
Formação e intensidade esperadas
O fraco episódio de La Niña formado na primavera de 2025 teve pouco impacto no início do verão de 2026 e tende a enfraquecer até fevereiro. Desde então, análises de longo prazo já indicavam a possibilidade de um novo El Niño ao longo de 2026, tendência que se fortaleceu nas projeções mais recentes.
Segundo o meteorologista Vinícius Lucyrio, também da Climatempo, o aquecimento do Pacífico Equatorial deve começar ainda no primeiro semestre. “O El Niño deste ano deve se desenvolver entre o final do outono e início do inverno. O aquecimento começa antes, já a partir de março. Possivelmente, o El Niño 2026 será semelhante ao de 2023, com início acelerado”, afirmou.
As projeções indicam um evento, no mínimo, de intensidade moderada. Dados recentes da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA) apontam maior probabilidade de um El Niño moderado ou mais intenso entre agosto, setembro e outubro. O pico costuma ocorrer entre novembro e janeiro.
Impactos regionais
No Sul do Brasil, a tendência é de aumento da instabilidade já no inverno, com mais nebulosidade e temporais. Na primavera, cresce o risco de chuvas abrangentes, enchentes e de temporais severos, incluindo a formação de Complexos Convectivos de Mesoescala (CCMs). Parte dessa instabilidade pode atingir Mato Grosso do Sul e São Paulo.
No Sudeste e no Centro-Oeste, o aquecimento antecipado do Pacífico pode estender o período chuvoso até meados ou o fim de abril. Já o final do inverno e a primavera de 2026 tendem a ser marcados por calor intenso e tempo seco, com ondas de calor longas e frequentes no interior do País.
Na Amazônia, a previsão indica cheias mais expressivas dos rios em 2026, seguidas por uma vazante mais acentuada. Ainda não é possível afirmar se haverá impacto direto na navegabilidade, mas a expectativa é de períodos prolongados de calor e estiagem.
Próximo período úmido
Segundo a análise da Climatempo, o início do próximo período de chuvas deve ocorrer de forma irregular. Há possibilidade de pancadas isoladas entre agosto e setembro em áreas do Brasil Central, sudeste do Pará, Minas Gerais, São Paulo e interior do Nordeste, sem indicação de regularidade.
Esse padrão pode ser insuficiente para recompor a umidade do solo e os níveis dos reservatórios, com reflexos no abastecimento de água, na geração de energia hidrelétrica e no calendário de algumas culturas agrícolas.
Fonte: Estadão

