Produtor sustenta setor sob custo alto e clima adverso
16-04-2026
Roberto Cestari, da ORPLANA, cobra previsibilidade, tecnologia e alinhamento no setor
Andréia Vital
O produtor de cana-de-açúcar mantém a base do setor mesmo diante de custos elevados e incertezas climáticas, afirmou o presidente do Conselho Deliberativo da ORPLANA, Roberto Cestari, durante a abertura do Cana Summit 2026, em Ribeirão Preto – SP. O evento, realizado no Taiwan Centro de Eventos, também celebrou os 50 anos de atuação da entidade na defesa dos produtores.
Segundo Cestari, a atividade exige gestão de risco permanente em um ambiente marcado por volatilidade de custos e variabilidade climática. “É o produtor que acorda cedo, assume risco, enfrenta custo alto, clima incerto e ainda entrega resultado”, disse. Para ele, o produtor rural opera como uma empresa a céu aberto, com alto nível de exposição a fatores externos e necessidade constante de eficiência.
O dirigente ressaltou que a força do setor sucroenergético está diretamente ligada à capacidade produtiva no campo. “Nada do que estamos discutindo aqui existiria sem o produtor”, afirmou. Na avaliação dele, a resiliência do fornecedor de cana tem garantido a continuidade da produção mesmo em cenários adversos.
Cestari defendeu avanços estruturais para sustentar a competitividade da cadeia. A primeira frente envolve maior transparência e relações mais maduras entre os agentes. Segundo ele, o desenvolvimento do setor depende de regras claras, previsibilidade e confiança. “O setor da cana só é forte porque o produtor é forte. Por isso, é fundamental avançar com um ambiente mais estruturado”, afirmou.
Outro ponto destacado foi a necessidade de intensificar a adoção de tecnologia no campo. De acordo com o dirigente, inovação e modernização são fatores determinantes para ganhos de produtividade e eficiência. “Quem não evolui perde competitividade, e o Brasil não pode ficar atrás”, disse.
Cestari também enfatizou o papel do diálogo e do alinhamento entre os diferentes elos da cadeia produtiva. Para ele, a fragmentação enfraquece o setor e compromete decisões estratégicas. “Setor dividido é setor fraco, e isso não interessa a ninguém”, afirmou.
O presidente do Conselho Deliberativo da ORPLANA reforçou ainda a importância do relacionamento entre produtores, indústrias e demais agentes como base para um ambiente mais estável. Segundo ele, não há perspectiva de crescimento consistente sem alinhamento entre as partes.
Ao comentar o papel do Cana Summit, Cestari destacou que o encontro se consolida como espaço para alinhar estratégias, discutir desafios e avançar em decisões relevantes para o setor. Ele também apontou que o Brasil tem uma oportunidade relevante no contexto da transição energética, com potencial de ampliar sua participação na oferta de energia renovável a partir da cana-de-açúcar.

