Produtores de cana na safra 2021/22 fizeram “colchão” e estão mais capitalizados
18-03-2022
Mesmo com quebra de produção e aumento de custo por tonelada, cana do produtor foi mais remunerada na safra 2021/22 do que no ciclo 2020/21
Em sua apresentação no evento Expedição Custos Cana, João Rosa, o popular Botão, coordenador de Projetos do Pecege, destacou que o custo de produção de cana na região Centro-Sul do Brasil ficou em R$ 143,00 a tonelada e que as unidades sucroenergéticas pagaram pela cana do produtor em média R$ 167,00. Com isso, segundo o analista, foi melhor negócio para a usina produzir a sua cana do que adquirir de fornecedor.
Do lado do fornecedor, Botão salientou que, normalmente os produtores de cana têm um custo mais eficiente que a usina por tonelada de cana, que registrou na safra 2021/22, R$ 143,00. Observou que no caso de negociação pelo ATR fixo o que muda em relação à comercialização de cana spot, é que a venda é feita com cana em pé. Com isso, quem fecha contrato com ATR fixa não tem o custo do CTT (corte, transbordo e transporte) calculado nesta safra em R$ 35, assim, o custo cai, mas a receita também.
Mas independente da venda da cana em ATR fixa ou spot, em todas as simulações de preço realizadas pelo Pecege, para todos os contratos houve a geração de uma margem de lucro. Por exemplo, quem negociou pelo Consecana seco, assumindo essas margens de custo, de R$ 143, teve um ganho de R$ 24 por tonelada, na vende de cana spot, a margem de ganho foi de R$ 72,00. Botão salientou que isso sem considerar a depreciação de capital.
A safra não foi tão tenebrosa como dizem
O Coordenador de Projetos do Pecege lembrou que atualmente a maior parte das negociações de compra de cana, exceto contratos firmados no passado, utilizam o Consecana como base e colocam algum ganho a mais. “O sistema serve como referência, a partir dele acrescenta um plus de preço, por exemplo de 10%, ou se faz uma composição ATR fixo + cana spot.”
A Safra 2021/22 ano foi difícil em relação à produtividade, mas não tenebrosa como muitos dizem, pois, o produtor obteve ganhos até que significativos. Provas disso são a falta de Hilux no mercado e o preço do hectare de terra na região de Ribeirão Preto estar custando entre R$ 250 mil a 300 mil o hectare, ressaltou Botão. Salientando que os produtos não podem esquecer de reverter parte do ganho em investimento em tecnologias para aumentar ainda mais a produtividade e reduzir custo.
Fonte: CanaOnline

